Paladar

O trivial libanês, com esmero

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O trivial libanês, com esmero

25 junho 2014 | 20:45 por Luiz Américo Camargo

O cardápio é extenso e talvez não seja simples obter alguma sugestão objetiva sobre o que provar, caso seja sua primeira visita. “Aqui tudo é bom”, desconversarão os anfitriões, sempre apressados. Aos poucos, entretanto, os hospitaleiros donos do Baalbek vão se soltando e orientando os pedidos. Informam que determinada esfiha acabou de sair, que há um prato especial fora do menu, que um certo doce foi feito excepcionalmente naquele dia. Mas não entregam tudo de uma vez. O restante só se descobre em outras visitas, por etapas, em camadas.

O pequeno Baalbek tem cara de lanchonete e ocupa um ponto discreto na Al. Lorena há 15 anos. Tudo é muito despojado, informal, e quem comanda a operação é a família libanesa Moussa, originária da cidade que batiza o restaurante, tendo à frente as irmãs Sabah e Minerva. Recentemente, a casa ganhou um reforço importante nos fogões: o cozinheiro sírio Amir Hassan, recém-chegado do Líbano, onde morava. Hassan já tem dado suas contribuições nos pratos quentes e, principalmente, na doçaria, sua especialidade de origem.

Ficou com água na boca?

Quê de lanchonete. Ambiente simples e boa comida libanesa caseira. FOTO: Sérgio Castro/Estadão

A longa carta contém, evidentemente, os standards da culinária árabe que os paulistanos já conhecem. De quibes e kaftas (bem feitos, sem maiores destaques) até falafel e esfihas (a melhor é a de ricota e verdura). Porém, o que mais me impressionou foram os pratos caseiros, inspirados no cotidiano das famílias libanesas. Sugestões simples, com preços por volta dos R$ 30, com sabores bem definidos e muita delicadeza. Como a vagem cozida com músculo, num delicioso molho de tomate. O malube, arroz com cúrcuma, cozido com berinjela e músculo, com amendoim torrado dando textura crocante e notas levemente amargas. A berinjela recheada com carne moída, uma porção bem servida – e muito fácil de ser abatida. E, borrando as fronteiras entre o doce e o salgado, um generoso uzi (R$ 10), com massa folhada coberta com calda de açúcar, recheada com arroz, carneiro e ervilhas.

Na hora de escolher a sobremesa no balcão de doces, é provável que você ouça a já conhecida recomendação: “Pode escolher qualquer um, tudo é bom”. E a pâtisserie libanaise do Baalbek está mesmo boa. Mas, como meu papel aqui é facilitar o passeio, eis meus preferidos, pela ordem (preços médios de R$ 6): o belewa, massa folhada crocantíssima, com recheio de nata; o namura, bolo de semolina; o ataief, a pequena panqueca com nozes ou nata; o beklawa (ou baclavá, de massa folhada) de pistache. Se a fase da cozinha é próspera, a dos negócios também é. Segundo o clã Moussa, está prevista a abertura de uma filial no Itaim, para os próximos meses.

Por que este restaurante?
Pela cozinha libanesa caseira, saborosa e a bom preço. Em especial, pela qualidade dos pratos quentes e doces.

Vale?
É um programa sem pretensões, sem maiores cuidados com ambiente e serviço – a despeito da simpatia dos Moussas. Porém, come-se bem gastando em torno de R$ 50 (com, por exemplo, uma esfiha, alguma porção fria, um prato quente e um doce). Vale.

SERVIÇO – Baalbek
Al. Lorena, 1.330, Jd. Paulista
Tel.: 3088-4820
Horário de funcionamento: 8h/20h (sáb., até 18h; dom., fecha)
Cc.: todos
Estac.: não tem

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 26/6/2014

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