Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Pão, azeite, manteiga e…

25 agosto 2011 | 07:58 por Luiz Américo Camargo

No Paladar de hoje há um texto aludindo ao que fizemos (eu e vocês; não entrei nessa de plural majestático, não, fiquem tranquilos) aqui no blog nos últimos dias. Foram publicados, inclusive, alguns trechos de uns poucos comentários. Como vocês sabem, o papel tem limite de espaço, o que não acontece com a internet. Mas serviu para ilustrar nosso objetivo: conversamos livremente sobre couvert, trocamos experiências, comparamos exemplos. Quero agradecer não só a quem participou, como também a quem leu – tivemos picos de audiência!

Nosso placar internacional, digamos, ficou assim. Ao todo, tivemos cerca de 120 participações, tratando de 20 países (sem contar muitas referências ao Brasil). Foram 13 comentários referindo-se aos EUA; Japão, 6; Portugal, 6; Alemanha, 5; Itália, 4; França, 4; Espanha, 4; Inglaterra, 3; Argentina, 2; Chile, 2; Canadá, 2; Bélgica, 2; Austrália, 1; China, 1; Guatemala, 1; Venezuela, 1; México, 1; Israel, 1; Costa Rica, 1; Equador, 1.

Claro, não se trata de um levantamento científico, mas de um conjunto de depoimentos, que nos traz uma amostragem interessante. No geral, com diferenças aqui, semelhanças acolá, temos: o pão predomina, em lugar dos couverts alentados, variados, que parecem cada vez mais uma coisa muito nossa; a maioria ou não cobra taxas, ou cobra muito pouco; mesmo o ‘coperto’ relativo à manutenção de toalhas, copos etc, tirando o caso da alta gastronomia italiana, costuma ser barato.

Ficou com água na boca?

Mas recomendo: vale passar de novo pelos posts dos últimos dias e rever os comentários. O painel é bem curioso.

Volto, portanto, ao meu ponto, agora tratando do que acontece aqui em SP. Couvert é uma questão de vontade, de apetite, de disponibilidade de dinheiro. Mas é o comensal que controla, pois comer couvert não é obrigatório. É assunto para ser tratado entre clientes e restaurantes, sem eleger mocinhos ou bandidos. E não matéria para ser decidida pelas autoridades. Se alguns preços cobrados são abusivos, se o custo é maior do que o benefício, é preciso que o público aprenda a se defender. Seja para dizer não; seja para dizer sim e exigir um pão mais fresco e uma qualidade melhor de produtos.

Porém, podemos, sim, aproveitar a celeuma para abordar outros aspectos: afinal, qual o couvert que queremos? Do que gostamos?

O espaço aqui está – sempre esteve – aberto para todas as manifestações, todos os pontos de vista. (Desde que apresentados de forma respeitosa, civilizada, sem baixar o nível. Debater, divergir, discordar, ok. Mas ofensa, não, certo?) E concluo afirmando que seria enriquecedor se profissionais da área (cozinheiros, restaurateurs, funcionários do salão etc) também deixassem aqui o seu ponto de vista: o que é um bom couvert? ele deve ser cobrado, deve ser barato, caro? o que ele representa para o restaurante? qual seria a melhor solução, já que a lei, pelo jeito, vem aí?

Afinal, o couvert, que antes estava só na mesa dos comensais (ou não), agora está na mesa do governador… aguardando a sanção. Fiquem à vontade, portanto, para falar a respeito.