Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Peculiar

19 setembro 2009 | 10:59 por Luiz Américo Camargo

Há restaurantes que cobram um preço extra para fazer meia-porção. Você pede meio prato, mas o valor não é exatamente a metade – equivale a 60% ou 70%. Já comentei a respeito: acho errado, apesar de muitos restaurateurs afirmarem que determinadas preparações não funcionam bem se feitas pela metade etc. Uma ginástica verbal que, a meu ver, não disfarça uma certa antipatia do gesto. Mas, Ok, é uma prática mais ou menos corrente, nada que cause tanto espanto.

Porém, há casas que se superam. Como o Vecchio Torino, por exemplo, que eu considero um lugar, digamos (estou aqui pensando em uma palavra amena…), peculiar. Eu fui até lá e queria comer algumas coisas. Perguntei se havia meia-porção. A resposta do garçom: “A gente até faz, mas é melhor não pedir”. E por quê? “Porque o chef cobra o preço inteiro”. Mas qual a razão? “Ah, é coisa do chef, ele é assim”.
Ou seja, ele só reduz a quantidade de comida do seu prato.

Voltando, então, trata-se mesmo de um restaurante peculiar. Que também não serve vinho em taça, coisa cada vez mais praticada em tantos lugares. No entanto (estou de novo pensando em outra palavra amena…), excentricidades à parte, eu lamentei, mesmo, pelo gnocchi alla piemontese. Estava diferente das outras vezes: o molho era muito mais tomate do que queijo fontina. A cor estava mais escura, o gosto não era o mesmo, nem a acidez. O rigor das idiossincrasias, enfim, parece ter faltado na cozinha.

Ficou com água na boca?