Paladar

Perfis, livros, pais

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Perfis, livros, pais

05 agosto 2014 | 18:05 por Luiz Américo Camargo

No meu comentário de hoje da Rádio Estadão mencionei algumas dicas de livros para o dia dos pais. Como as palavras voam e a escrita fica, a pedidos, coloco aqui, resumidamente, as minhas indicações – no geral, lançamentos ou edições ainda recentes. Muito subjetivamente, dividi os pais em perfis, e vocês já vão entender.

Pai “cozinheiro curioso”: Dicionário de Sabores, de Niki Segnit. Partindo de 99 ingredientes, que, no fim, se desdobram em 1.000 verbetes, a autora fala de afinidades, de compatibilidades de sabor. Explica (qumicamente, inclusive) por que determinados itens conversam bem entre si, enquanto outros não funcionam juntos. Entender princípios, creio eu, sempre nos dá mais segurança para arriscar. E, afinal de contas, um dos aspectos de cozinhar bem é saber temperar e combinar os alimentos não é mesmo?

Ficou com água na boca?

FOTO: Divulgação

Pai “cozinheiro erudito”: A História da Culinária em 100 Receitas, de William Sitwell. O jornalista inglês (de revistas e TV) traça um painel da história da gastronomia elencando cem pratos/quitutes que ele considera capitais. Suas escolhas são lá meio discutíveis e revelam um ponto de vista britânico além da conta, mas tudo bem. O autor começa no pão do Egito antigo, passa pelo chocolate dos astecas, pelo suflê na França, até desembocar em Ferran Adrià. A pesquisa é boa, a angulação é sempre interessante e, no mínimo, o tour de force rende uma boa discussão.

(Por uma questão de tempo – o boletim é rápido – tive que ser sucinto nas escolhas. Porém, tivesse eu mais alguns minutos, incluiria nesta categoria O País dos Bananas, de J. A. Dias Lopes; Gilberto Freyre e as Aventuras do Paladar, de Lecticia Cavalcanti; e Formação da Culinária Brasileira, de Carlos Alberto Dória).

Pai “bom anfitrião”: Pitadas da Rita, de Rita Lobo. Não apenas as receitas são bem escolhidas, mas a orientação que a Rita Lobo dá a elas é muito boa. O livro ensina a preparar bons pratos e quitutes, mas também a receber de uma maneira charmosa e inteligente, zelando pelos detalhes em torno de um lanche, de uma refeição – sem, no entanto, torná-la formal.

Pai “churrasqueiro”: Sete Fogos, de Francis Mallmann. Este perfil de pai é quase um clichê, mas tentei fugir do estereótipo do tiozão do espeto e do carvão. O livro do chef argentino é um belo tratado sobre a lida com o fogo. E o churrasco em questão é apenas um dos sete processos de cocção esmiuçados pelo autor. Gosto não apenas da abordagem, mas como também da versatilidade das receitas (tem cordeiro, aves, vegetais, influências ora patagônicas, ora andinas…).

(No estouro de tempo do comentário, a Roxane Ré me pediu mais duas dicas, de vinhos e pães. Mencionei Vinhos, de Andrew Jefford. E, modestamente, por sugestão e gentileza da própria apresentadora, citei o meu Pão Nosso).

O papel e as telas aceitam tudo e seria possível pensar em muitos outros perfis. Mas já dá para brincar com a lista acima, imagino.

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