Paladar

Peru no Pari

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Peru no Pari

27 maio 2015 | 17:44 por Luiz Américo Camargo

Enclave da colônia boliviana, recanto da comunidade islâmica e guardião de muitas outras surpresas, o Pari abriga também um peculiar restaurante peruano. É o Aleja, aberto há um ano, que funciona na Avenida Carlos de Campos, num ambiente muito simples, pitoresco, mas bem ajeitado – com uma cozinha aberta, organizada, de frente para o salão.

Quem comanda a casa é o chef limenho José Noriega, que serve pratos inspirados, predominantemente, nas tradições de sua cidade natal. O repertório vai de anticuchos à escola chifa, de influência chinesa, mas com alguns itens de outras regiões. A equipe é toda peruana e o espanhol é o idioma vigente.

Aleja. Comida peruana bem típica, simples e feita no capricho. FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

Noriega costuma estar no restaurante mais à noite e, à sua maneira, vem se tornando responsável por um pequeno império: cuida também de outro Aleja, no Tatuapé, e do Inkafood, na Vila Olímpia, para refeições rápidas e pratos para viagem, além de um catering para eventos e festas – sempre trabalhando com o receituário de seu país.

Os pratos do Aleja são bons de sabor e, principalmente, remetem de fato à cozinha do cotidiano no Peru. Têm frescor e personalidade, chegam à mesa fumegantes (a propósito, ainda que haja um sistema de exaustão, você também acaba um pouco defumado).

Tratando da cozinha fria, o ceviche, por exemplo, é feito em marinada rápida e arde sem dó, como poucos lugares fazem na cidade. Por esses dias, a especialidade foi preparada com o peixe-cabra, em geral desprezado em feiras e peixarias, e a apresentação surpreende pelo acabamento. As causas também são muito gostosas, caprichosamente montadas.

Entre os pratos de resistência, o arco de opções é grande: desde uma bem fornida jalea mixta, o frito misto com camarão, peixe (mais uma vez, cabra) e mexilhão, com mandioca e milho, até um trivial tacu tacu (a massa de arroz e feijão) com contrafilé acebolado e vegetais. A maioria dos pratos custa entre R$ 20 e R$ 35 – é mais barato do que os restaurantes peruanos no eixo mais badalado da capital, certamente; mas bem mais caro do que os restaurantes bolivianos dos arredores. Para finalizar, doces como suspiro limeño e o clássico combinado de mazamorra morada (feita com o amido de milho roxo e especiarias) e arroz doce, preparado à minuta.

Sobre tempos e velocidades, é preciso avisar que os pratos costumam ser mais para demorados. Tudo é elaborado por uma equipe pequena, dois cozinheiros, em geral. Há apenas um garçom no salão, gentil e bem instruído sobre o menu, mas com limites óbvios de ação. Como a casa não fecha entre almoço e jantar, compensa ir fora do horário de pico, quando o serviço é mais ligeiro.

Último aviso: tem TV ligada no salão e, em algumas noites, música peruana ao vivo. Esteja preparado.

Por que este restaurante?
Pelo cardápio peruano simples, bem feito e fiel ao estilo.

Vale?
Vale. É comida com tipicidade e sem luxo. Com entrada, prato e sobremesa, gasta-se entre R$ 50 e R$ 70, sem bebidas (muitas porções servem 2).

SERVIÇO – Aleja
Av. Carlos de Campos, 155, Pari
Tel.: 2291-5301
Horário de funcionamento: 10h/22h (fecha 2ª)
Cc.: A, D, M
Sem valet (estacionamentos nos arredores)
Metrô: Armênia (1,3 km)
Ciclovia: Pari/Canindé (1 km)

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