Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Pizzas forasteiras para paulistanos

14 junho 2012 | 08:34 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 14/6/2012

Logo que você chega à 68 La Pizzeria, assim que conseguir passar pela enorme porta de vidro (mas como abre? Ah, sim, ela gira), é provável que algum simpático funcionário ofereça um rápido tour pelo restaurante. E mostre o primeiro salão, a área dos fornos, o ambiente ao ar livre – decorado com uma réplica de um carro Porsche modelo Spyder 356 –, depois o mezanino, onde há uma sala mais reservada. Aí então você se acomoda e escolhe o que vai comer.

A 68 é filial de um estabelecimento criado em Belo Horizonte há seis anos e segue a tendência (que vem da década passada) da chamada “pizzaria-superprodução”, com uma ambientação alguns tons acima da trivialidade do prato principal. Costumo dizer que pizza tem complexidade, mas dispensa complicações. Divagações à parte, no geral, a nova casa da Al. Tietê apresenta discos equilibrados, com borda média, massa com algumas notas vagamente adocicadas, e boa proporção de cobertura.

Ficou com água na boca?

O cardápio traz antepastos, panini, queijos. E pizzas divididas nas categorias clássicas, tradicionais e extravagantes (nesta última, opções como a brasileiríssima, com carne de sol e catupiry). Na primeira visita, a impressão não foi tão boa. Não gostei do tempero excessivo do molho, nem da elasticidade da massa – poderia, sim, ser mais crocante. Na segunda, semanas depois, foi bem melhor. As pizzas estão bem assadas e mais balanceadas em sabor. Para ser objetivo, deixo duas boas sugestões: a diávola (R$ 46), com linguiça picante e mussarela; e a margherita imperiale (R$ 36), com mussarela e manjericão.

A recém-aberta Pizza na Roça, por coincidência, também nasceu fora de São Paulo. A matriz fica em Caconde, a 290 km da capital, e foi fundada em 2003. A unidade paulistana (há outra, em Poços de Caldas) abriu há 20 dias, em esquema de soft opening, e foi inaugurada oficialmente nesta semana, na Rua Traipu, no mesmo ponto que já pertenceu ao Carlino, à Toca e a outros restaurantes.

A ambientação, neste caso, é ao estilo “casa na fazenda” e invoca um lirismo de feição mais campestre – mas com amplos salões e 155 lugares. Num primeiro exame, o cardápio pode dar a impressão de que a casa não se atém tanto à tradição, com opções de borda recheada e versões doces para a sobremesa. Mas as pizzas são de muito bom nível, com belo corniccione (a borda) e ingredientes notadamente de qualidade.

Os discos chegam à mesa em placas de pedra, para manter a temperatura. E são assados com rigor – massas bem fermentadas e de cocção precisa, acreditem, são poucas na cidade. Ainda que a estrela da casa, segundo os garçons, seja a brócolis caboclo (vencedora de um prêmio da Fispal em 2008), eu me empolguei mais por sugestões como a peperoni da roça (R$ 52,90), com um saboroso embutido artesanal e mussarela.

Por que estes restaurantes? Porque são novidades.
Vale? Você não se empolgando com as opções mais caras nem exagerando nas bebidas, não irá à falência. Vale conhecer.

68 La Pizzeria. Al. Tietê, 54, Jd. Paulista, 3081-4057.
Pizza na Roça. R. Traipu, 91,Perdizes, 4329-0963.