Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Pode se servir

07 fevereiro 2009 | 20:25 por Luiz Américo Camargo

É evidente que um restaurante que trabalha com bufê tem suas limitações. Os pratos estão lá, expostos, prontos, aquecidos, com todos as desvantagens que isso pode gerar numa comparação com uma receita feita à minuta. Alguns ressecam, outros amolecem e aí vai. Anthony Bourdain costuma dizer que comida de bufê é comida morrendo a olhos vistos. Exageros à parte, quem trabalha com o sistema precisa ser cuidadoso e, mais ainda, sábio. Deve montar seu cardápio tendo conhecimento do que funciona, do que não dá certo. Peninha, o proprietário do Pitanga (R. Original, 162), é um dos bons restaurateurs dessa modalidade em São Paulo.

Faz tempo que eu não visitava a casa, mas hoje tive a satisfação de constatar que suas saladas, pratos frios e quentes estavam em ótima forma. Criado em 1997, o restaurante acertou a mão logo no início das atividades – a base de seu menu variou muito pouco, de lá para cá. E, atualmente, ai do cozinheiro/proprietário se inventar de mexer na feijoada ou no peixe vermelho assado de sábado (a clientela reclama). Por isso, o preço da matéria-prima pode subir, o fornecimento lá da Bahia pode complicar, mas não importa: o vermelhão tem de estar ali semanalmente, sobre o fogão a lenha, assado com farofa (e servido com pirão e molho de pitanga). Muitas coisas abrem e fecham na Vila Madalena.
Mas, há uma dúzia de anos, o Pitanga segue firme. Por 36 pratas por cabeça, uma refeição despretensiosa e decente.