Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Porca fartura

20 maio 2013 | 10:23 por Luiz Américo Camargo

Já usei o título acima em outra ocasião, eu sei. Mas achei que valia recuperá-lo para falar da Virada Cultural, mais especificamente dos chefs, quituteiros e afins que se reuniram na Av. São Luís no fim de semana. Em relação ao evento do ano passado, houve muitos avanços – de infra, de agilidade, de fluência de serviço. E, de um jeito ou de outro, creio que tanto o público como os empreendedores saíram bem mais satisfeitos. Pelo que pude ver (e apurar, mais tarde), as vendas foram significativas, com destaque para os estandes sempre concorridos de cozinheiros como Raphael Despirite, Lourdes Hernandez, Janaína Rueda, entre outros.

Mas voltemos ao título. Foi impressionante ver a performance do chef Jefferson Rueda e sua quase orgia da carne suína. Porções e mais porções de seu porco à paraguaia eram servidas incessantemente, com presteza, por uma equipe que parecia muito bem treinada para a missão. O prato (R$ 15), com deliciosos nacos de carne, tutu, pururuca, caiu muito bem no domingo de temperatura amena. E, imagino aqui comigo, que tremendo sucesso a receita não faria num esquema de food truck. Como palmeirense, numa fase que tem sido de lascar, me senti indiretamente reconfortado com o tratamento digno dado à porcada.

Sobre a comida de rua, creio que estamos chegando num momento de mudanças. Há chefs mobilizados para tanto (e grupos de trabalho já articulados, como O Mercado e o Chefs na Rua). Há profissionais (que não necessariamente chefs) muito empenhados em abraçar essa oportunidade de negócio. Há público altamente interessado. Há um aceno das autoridades municipais, seja na esfera executiva, seja com o projeto do vereador Andrea Matarazzo, que regulamenta atividade.

Ficou com água na boca?

Seria um avanço e tanto para cidade. Não apenas como alternativa alimentar e como estímulo a novos negócios. Faria bem à gastronomia. Os restaurantes teriam mais concorrência, haveria uma distensão no mercado. E a pirâmide da restauração, digamos, ficaria muito mais consistente: não há cenário relevante que não comece por uma boa base popular. Enfim, veríamos os benefícios no bolso do consumidor, no apetite geral, na movimentação da economia.

Tomando a porca fartura de Jefferson Rueda como um símbolo (de um trabalho que, eu sei, envolve aspirações e esforços de muita gente), espero que ela seja um marco – vamos torcer – de uma nova fase.