Paladar

Portugueses descobrem Moema

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Portugueses descobrem Moema

15 maio 2013 | 23:00 por Luiz Américo Camargo

Há uma rota migratória ibérica apontando para Moema. Uma leva de restaurantes que puxa pelo sotaque lusitano, pratica preços amigáveis e foi ancorar por aqueles lados da zona sul fugindo dos custos do eixo Itaim/Jardins. Por enquanto, são portugueses. Porém, logo vão ganhar a companhia do madrilenho Maripili, que escolheu o bairro para abrir a primeira filial. Eis aqui duas casas ainda novatas.

Da Terrinha. A segunda unidade do restaurante do empresário Norberto Moutinho (ambas estão em Moema) mantém a mesma proposta despojada da matriz, na Alameda dos Aicás – porém, com mais espaço. Estão lá os bons bolinhos de bacalhau, os pastéis de creme de bacalhau e alguns pratos que destacam o protagonista, o Gadus morhua (a maioria, entre R$ 40 e R$ 50).

Algumas receitas (é o caso do bacalhau à braz) chegam a ser dessalgadas no limite, quase ofuscando a presença do peixe. Mas são leves e, embora apareçam como opções individuais, até matam a fome de dois – depois de couvert e petiscos. Entre as sobremesas, a sericaia do Alentejo e o arroz-doce são particularmente apetitosas.
Já o serviço, está naquele momento delicado em que o nível de informação e desenvoltura dos garçons é muito heterogêneo. Vem um que não sabe, que confunde… Vem outro que conserta.

Ficou com água na boca?

No Chiado, atmosfera informal e receitas que funcionam. FOTO: Filipe Araújo/Estadão

Chiado. No acolhimento, na presteza dos garçons, a nova casa não nega seu DNA: os sócios já trabalharam no Antiquarius e no A Bela Sintra. O couvert (R$ 7) chega rápido e é sempre reposto, os bolinhos de bacalhau (R$ 16) são respeitáveis, as sobremesas são apresentadas numa bandeja. Mas o Chiado não tem pretensões palacianas e a atmosfera é informal. Suas receitas principais (entre R$ 40 e R$ 50), se não são brilhantes, funcionam bem num almoço de fim de semana. Gostei do arroz de pato, do bacalhau à chiado (frito com amêndoas, acompanhado por batata e espinafre), do cordeiro com molho de laranja. E colocaria num segundo plano os frutos do mar com feijão branco. Com relação aos vinhos, acho que faltam opções com melhor relação preço/qualidade – o que seria coerente, inclusive, com a orientação geral da casa.

Sobre a origem empresarial do Chiado, cabe uma digressão. Carlos Bettencourt, quando fundou A Bela Sintra, em 2004, foi processado pelo Antiquarius, seu então empregador. Não vou entrar no mérito da disputa, já encerrada. Mas uma das querelas, segundo se contava nos bastidores, tinha a ver com o fato de Bettencourt simplesmente… querer partir para o próprio negócio. Passados quase dez anos, o bem-sucedido restaurateur viu uma história semelhante se desenhar, mas com desfecho bem diferente. Se seus ex-funcionários desejavam virar proprietários, que fossem. Ele não só daria apoio moral, como também consultoria (junto com a chef Ilda Vinagre). Ao que se vê, está sendo bom para todos.

Por que estes restaurantes?
Porque são duas simpáticas novidades.

Vale?
Come-se abaixo dos R$ 100 por pessoa (sem vinho). Dá para se divertir.

SERVIÇO

CHIADO
Av. Jurucê, 776, Moema
Tel.: 5041-5276
Horário de funcionamento: 12h/15h30 e 19h/0h (sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h. Fecha 2ª)
Cc.: todos

DA TERRINHA
Av. Pavão, 806, Moema
Tel.: 5041-9062
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h30/23h30 (dom., 12h/17h. Fecha 2ª)
Cc.: todos

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