Paladar

Questão de um “A”

19 novembro 2009 | 14:22 por Luiz Américo Camargo

Estou há um tempão para escrever sobre este assunto. A confusão, em nosso mercado, entre badejo e abadejo. Tem gente que pensa que é a mesma coisa. Tem gente que vende como se fosse a mesma coisa – especialmente em restaurantes. Não são.

Badejo é aquele peixão nobre, de filés pedaçudos, carne densa, aparentado de espécies com alto teor de gelatina como a garoupa e o cherne. Vem do nosso litoral, de norte a sul. Mas, últimamente, os que têm chegado até nós foram pescados em geral na faixa entre Rio e Bahia. Estão rareando, infelizmente. Mão são cosa buonissima, como dizem os italinos.

Já os abadejos disponíveis por aqui são outra coisa. Peixes mais simples, com aqueles filés mais chatinhos, sem o sabor e a delicadeza do badejo. Lembram a merluza, para comparar. Muitos vêm do Atlântico Sul, lá da costa argentina, por exemplo. Chegam congelados e embalados.

Outro dia, num restaurante de nível médio, digamos, o prato do menu executivo era moqueca de badejo. “Mas é badejo ou abadejo?”, perguntei. “Badejo”, disse a moça. Não era. Na hora que vi os pedaços pouco espessos, e aquela parte perto da cauda já meio fibrosa, não tive dúvida. Avisei, reclamei, mas sem muito eco.

Verifique, portanto, de que bicho se trata. O “A”, neste caso, não é mero detalhe.

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