Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Reparou no salão?

10 maio 2009 | 23:55 por Luiz Américo Camargo

De forma ora mais direta, ora menos explícita, eu já pude comentar neste blog o quanto admiro o trabalho do Maní. Acho importante que São Paulo possa contar com um restaurante com tamanha lucidez gastronômica, com tanta capacidade de conciliar prazer e técnica, rigor e sutileza. Já comi muitas vezes lá e, em nenhuma oportunidade, a refeição foi menos do que muito boa. Dizer que a inspiração emana principalmente da cozinha (cada vez mais afinada) de Helena Rizzo e Daniel Redondo, claro que é chover no molhado.

Mas é importante perceber que tudo vai tão bem porque o restaurante, como um todo, funciona de forma harmônica (Se há reparos? A carta de vinhos, por exemplo, merecia ser melhor). A vida acontece ali de maneira fluente, equilibrada, a experiência de comer é conduzida com estresse mínimo – considerando se tratar de uma casa sempre lotada. E eu chamo atenção para a performance sempre discreta, elegante, precisa, da Patrícia, responsável pelo salão. Suas intervenções são econômicas, sua atitude é serena. Resolve pepinos, acolhe, movimenta garçons e mesas, cria soluções com a mesma competência com que a cozinha libera maniocas, bobós, peixes à baixa temperatura e flans de chocolate. E a gente quase nem nota.

Os bonecos fazem o show, e nem percebemos quem está movendo as cordas. É um profissionalismo polido, que combina leveza de gestos e firmeza de ações.

Ficou com água na boca?