Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Sirva-se e compare

16 abril 2009 | 14:08 por Luiz Américo Camargo

No Paladar de hoje, na coluna ‘Eu só queria jantar’, faço um cotejo rápido entre dois bufês quase vizinhos em Higienópolis, o Ráscal e o Bar des Arts. Provei os dois com algumas horas de intervalo (à noite e no almoço do dia seguinte), mas já fiz doideiras do tipo almoçar três vezes seguidas. Em uma delas, mais complexa,comparei os dois Antiquarius no mesmo dia. Peguei um avião, almocei no Rio, na matriz, voltei a São Paulo, jantei nos Jardins. Excentricidades à parte, é o melhor método para entender semelhanças e diferenças. Abaixo, o texto do dia.

Publicado no Paladar de 16/4/2009

Eu até pensei em almoçar duas vezes seguidas e realizar a comparação no mesmo dia, mas não deu. Queria entender as diferenças de estilo entre o Ráscal e o Bar des Arts, os mais concorridos bufês do Shopping Higienópolis. Jantei então no primeiro, que ocupa o ponto desde 1999, e almocei no segundo, inaugurado faz um mês (a matriz, no Itaim, tem 13 anos). O que separa um do outro? Fisicamente falando, uma distância de 80 passos (eu fiz o caminho interno, cruzando a Livraria Siciliano). Já no aspecto da restauração, são duas experiências diversas, por assim dizer.
Quando você entra no Ráscal (R$ 45 o bufê), é impossível deixar de reparar como o senso de padrão é predominante. A abordagem do serviço (os garçons sempre com seu palm em mãos) é idêntica. O território é o mesmo. E a comida apresenta notável regularidade, alternando, segundo a própria casa, 40 tipos de saladas e antepastos, além de 35 pratos quentes.

Ficou com água na boca?

Suas saladas e pratos frios têm considerável qualidade, as massas são concluídas à minuta, na frente do cliente. Mesmo o molho de tomate, produzido em escala industrial, parece à prova de erros. E é admirável que um bufê tenha conseguido implantar pratos já quase famosos, como o atum em crosta de gergelim e o ravióli de mussarela de búfala. Mas, com toda a confiança que o restaurante inspira, tudo ali conduz a uma refeição apressada.

A pouco mais de 50 metros, o Bar des Arts (R$ 49, no almoço; à noite, só pelo cardápio) conta uma outra história. Nessa área contígua ao shopping, que já foi ocupada por lugares como o Cardinale, a ideia é que o visitante se sinta numa vila franco-italiana. Seu serviço é formal e gentil. E o bufê muda diariamente, alternando estilos culinários. Frios e quentes ocupam uma mesa comprida, compondo um painel de pratos diversificados, alguns mais à antiga, outros aparentemente mais adequados ao sistema à la carte. Como, respectivamente, uma salada de endívia, tomate seco e queijo de cabra e um medalhão de filé ao molho mostarda.

Tal qual um grande hotel de cozinha internacional, paira uma certa indefinição de sabores. Há peixes e massas no réchaud, perigo inevitável ao ponto de cocção. Mas há também uma mesa grande de sobremesas incluída no pacote, com vários doces, alguns apenas vistosos – mas um ótimo pudim de leite.

Por fim, se fosse possível unir o melhor dos dois num mesmo repasto, eu faria assim. Comeria saladas e massas do Ráscal, mas sentaria na área externa (que é menos rococó) do Bar des Arts, onde provaria também a sobremesa. Delírio? Do ponto de vista espacial, até que não. São só 80 passos.

Bar des Arts
Av. Higienópolis, 698, 3662-6363, Higienópolis 1
Aberto das 12h à meia-noite
Cartões: todos

Ráscal
Av. Higienópolis, 618, 3823-2667
Aberto das 12h às 15h15 e das 19h às 22h15 (Sextas e sábados, das 19h às 23h45; sábados e domingos das 12h às 17h)
Cartões: todos