Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Sorte

10 junho 2015 | 18:28 por Luiz Américo Camargo

Quem leu a coluna desta semana (o post anterior, logo abaixo), já viu a informação, nas últimas linhas do texto. Depois de onze anos – vá lá, onze e meio –, deixo de produzir resenhas semanais sobre restaurantes aqui no Estadão. É hora de seguir em frente com outros projetos, com outras abordagens para o conteúdo sobre comida e, obviamente, com o pão – um tema que vem assumindo um tamanho cada vez maior no meu cotidiano.

Foram algumas centenas de textos, publicados sempre às sextas e/ou às quintas. Começou no Variedades, do finado JT (com o nome ‘Garfo & Faca’); passou para o Divirta-se (no JT e no Estado); chegou ao Paladar em 2008, quando virou ‘Eu Só Queria Jantar’. Um caminho que seguiu paralelo ao trabalho editorial no Divirta-se, no Paladar (do qual sou um dos fundadores, assim como de seus eventos) e com os suplementos do Estadão.

Fiquei pensando na melhor síntese desses onze anos, na melhor amarração para esta nossa conversa. O que dizer? Vi de tudo: a transformação do panorama paulistano, restaurantes surgindo, sumindo, ondas, modas, nomes, movimentos internacionais que se sucederam… O cenário mudou, eu mudei. Colhi histórias, compilei impressões, tracei análises. Trouxe à tona temas, enfoques e ideias que, desculpem a imodéstia, desde então vêm ecoando por aí. Enfim, um rosário de coisas que eu prometo destrinchar num futuro livro. Por mais que eu tente fugir dos clichês, não acho nada mais apropriado do que o velho “completei um ciclo, para começar outro”. Quero explorar outros terrenos. Mas vamos lá, vamos ao sumo: no fundo, eu tive é sorte.

Ficou com água na boca?

Sorte de transformar um gosto, um prazer, em caminho profissional. De ter aprendido tanto. De poder ter exercido meu ofício com liberdade e, ao mesmo tempo, rigor, buscando uma voz própria, um ponto de vista pessoal. De ter conhecido tanta gente boa, entre especialistas, leitores, colegas, que viraram grandes camaradas. De ter comido bem muitas vezes (e me estrepado em várias outras, o que faz parte do jogo), de ter um espaço cativo para compartilhar minhas experiências. De ter minha família e meus grandes amigos para dividir a mesa. Agradeço ao Estadão, por esses anos tão legais; e, principalmente, a quem me leu, durante tantas e tantas semanas.

No fim das contas, me diverti, deixei (e continuarei deixando) minhas contribuições para o assunto e, mais importante, quero crer que prestei um serviço ao público. Para que fique claro, então: paro com a crítica semanal no Estadão. Mas o apetite permanece aguçado e nos encontraremos em outros projetos, outras iniciativas.

Sorte para todos. Nas refeições, na vida.