Paladar

Luiz Horta

Fácil e dá para repetir em casa

13 janeiro 2009 | 23:02 por Luiz Horta

A coisa que mais se ouve neste assunto vinho: “é muito complicado. Nunca vou entender ou saber sobre vinhos. Tem que ser muito talentoso”.
Pura balela. Há enorme mistificação a respeito, eles (talvez eu devesse dizer: nós) não querem que você descubra que vinho dá trabalho para aprender, mas qualquer um pode. Andar de bicicleta também precisa aprender, no entanto, ninguém se diz “crítico de bicicleta” ou desanima no primeiro tombo.

Vejamos. Um exemplo bem simples.

Responda umas perguntas: Você percebe a diferença entre o cheiro de um limão e de um abacaxi? Distingue cheiro de terra molhada, grama cortada, pimentão vermelho? Olha só. Seu nariz funciona, e é usado para cheirar coisas, seja o perfume do jasmin ou o CK One. Basta então cheirar os vinhos e ir classificando na cabeça (mas se quiser anotar, pode também).

Ficou com água na boca?

Outro ponto para reflexão.

A pessoa passa no vestibular, se matricula na faculdade. Vai lá, mais ou menos, todos os dias. Estuda um pouco, presta atenção nas aulas. Mas faz festinha no D.A., viaja para a praia e namora também, e tem o cinema do fim de semana. Se tudo correr bem, se conseguir se lembrar daquelas malditas regras de cálculo ou do nome dos ossinhos do pé, ao final de 5 anos (4 conforme o curso), torna-se arquiteto, médico, advogado, uma coisa bacana destas.

Ou seja, depois de um tempo estudando, o sujeito pode operar alguém, dar pontos, construir um prédio, discutir a constituição.
Se coisas difíceis e muito sérias para a humanidade como prédios e transplantes podem ser aprendidos com aulas e livros, porque vinho não pode? Claro que pode.

Qualquer pessoa, e eu digo bem alto QUALQUER PESSOA, é capaz de aprender os tipos de vinhos, o nome e as características de quatro dezenas de uvas e alguns cheiros e sabores, uns trinta para começar.

O resto, o Lafite 1982, o Jerez Oloroso, o vin jaune do Jura e a uva Grüner Veltliner (como o projeto do aeroporto, ou o reimplante de joelho nas outras atividades) vem depois, com pratica.

Para um janeiro com um calorão destes é um começo.

[na foto Aubert de Villaine, proprietário do Romanée-Conti. Nem mesmo ele nasceu sabendo a diferença entre um Bordeaux e um Borgonha]