Paladar

Luiz Horta

Falsos demônios

18 novembro 2009 | 16:26 por Luiz Horta

Este o título do post de Eric Asimov no seu blog do New York Times, The Pour sobre o livro de Jonathan Nossiter, que lá se chamou “Liquid Memory: Why Wine Matters” e aqui “Vinho e Poder”. A razão é a mesma de sempre, quando se trata do diretor da comédia Mondovino: seu maniqueísmo.

Um parágrafo de Asimov diz assim: “De acordo com Nossiter, o vinho é um campo de batalha do bem contra o mal. Bem são os vinhos, vinicultores e lugares que ele gosta. Mal é todo o resto. Ou você está conosco ou é inimigo, é o que parece dizer. Onde já ouvi isto antes?”.

Eu não gosto de J. Nossiter, acho suas ideias ultrapassadas, banais e populistas. Mas me excedi aqui no blog e explico a razão.
No original francês do livro, “Le gôut et le pouvoir” resenhado por mim dois anos atrás, ele atacava o crítico Saul Galvão, com insinuações levianas. Curiosamente estes ataques desapareceram da edição brasileira do seu livro. Entretanto, é divertido constatar, que no índice remissivo consta Galvão, Saul…um ato falho, cortou a crítica mas se esqueceu de cortar a remissão bibliográfica.

Ficou com água na boca?

Nada disto tem nenhuma importância mais, quando o livro saiu Saul, generosamente, ignorou o ataque. E fez bem. Pois Nossiter não tem mais nada para dizer e este livro é desnecessário, uma repetição em texto ruim do filme, que era divertido.

Só que eu exagerei, chamei-o, no necrológio de Saul, no calor da irritação, de punguista intelectual. Um duplo erro. Ele não é punguista, pois é um termo equivocado, que quer dizer batedor de carteiras, algo que obviamente não é. Sorry leitores do blog, era um puro efeito estilístico de baixa qualidade, escrito com raiva, coisa que nunca dá bom resultado. E tampouco é intelectual, pois não discute ideias, expõe suas escolhas pessoais como dogmas, sorry de novo. É um produtor de ideologia em série.

Repito o parágrafo que terminava minha resenha anterior, adequando o preço aos valores nacionais. Para que gastar R$ 49 reais neste livro, se com este valor se pode comprar uma simpática garrafa de vinho? Mas quem preferir passar 288 páginas lendo o autor falando do que considera bom, não há nada demais. Há gosto e poder para tudo.

Mudemos de página e vamos ler coisas que valham a pena. Sugiro as Memórias de Hugh Johnson,autor que realmente entende de vinhos e que coloca a bebida no seu devido lugar, de prazer, hedonismo e boa companhia para a comida.