Paladar

Luiz Horta

Finalmente

16 janeiro 2009 | 01:07 por Luiz Horta

Fui conhecer o Dalva e Dito. restaurante novo de Alex Atala e Alain Poletto, mostrado em primeira mão pelo Luiz Américo (a matéria está aqui). Não vou comentar a comida, tarefa dos competentes críticos do Paladar. Apenas digo que, se a função de sair para comer é sentir-se bem, ela foi totalmente cumprida.

O ambiente é muito agradável, pelo menos para mim, certo ar da infância. O projeto tem um toque muito feliz de um Brasil que ia ser bom, cheio de otimismo e de uma mistura de azulejos com teto de treliça, cadeiras confortáveis, inclusive as ótimas do bar (Sergio Rodrigues?), um conforto que revê, como um sumário, o melhor produzido pelo design e a arquitetura brasileira nas décadas de 50 e 60 do século vinte, mas aggiornato (brincadeiras de grandes aplicações de xilogravuras, por exemplo).

Parece o Niemeyer da Pampulha em Belo Horizonte, ou de um hotel de estação de águas com toques modernistas. Parece um Rio chique que se perdeu no passado, para sempre, infelizmente. Dava para ficar lá muito tempo, e ficamos mesmo. Dalva e dito, dito e feito.

Ficou com água na boca?

Agora, o nosso assunto aqui, vinhos. A carta é ótima, vinhos brasileiros bem selecionados dominam, como na boa carta de vinhos de um restaurante com um partido semelhante, o Brasil a Gosto. Os preços corretos, o serviço bom. Mas o louvável foi o sommelier. Primeiro eu escolhi um Chardonnay Pizzato, vinho que tinha me deixado boa lembrança, de uma prova dois anos atrás. Decepção. Não tinha mais a boa acidez e o corpo médio da outra garrafa. Este 2008 é muito ligeiro, sem graça e com baixa acidez. Ficou devendo.

O “finalmente” a que se refere o título do post foi o vinho seguinte. Eu ia escolher outra coisa, o sommelier indicou o Angheben Barbera 2007. Acatei. Um vinho bem fino, equilibrado, muito elegante, ótima acidez. Finalmente, posso usar para um vinho brasileiro a palavra: excelente. Não tenho nenhuma dúvida, este foi o melhor vinho brasileiro que já tomei.

[Respondendo: o vinho é trazido pela Vinci Vinhos, telefone (11) 2797.0000. No catálogo da empresa custa R$ 33,75. No restaurante, R$ 62, uma margem cabível de ganho, mais moderada que a praticada, em geral, nos restaurantes paulistanos. Em Brasília: 3248.7311 ou 9115.4929]