Paladar

Luiz Horta

Melhor beber que ir ao cinema

07 agosto 2009 | 20:16 por Luiz Horta

Engraçada coincidência. Assisti semana passada o filme “Bottle Shock”, cujo título em português não sei (nem sei se passou por aqui). É um roteiro constrangedor sobre o Julgamento de Paris, a famosa degustação em que vinhos californianos derrotaram os grandes Bordeaux, em 1976. A história é verdade, é ótima e deu um livro divertido. Mas o filme precisou apelar para uma trama bem aborrecida, os heróicos e puros americanos derrotando os esnobes franceses. E apela sem dó.

Steven Spurrier, o crítico da Decanter, retratado como um trambiqueiro algo imbecil, por exemplo (Spurrier estava processando os produtores do filme, agora entendi por quê). Enfim…quem quiser perder tempo, veja este fiasco.

Nunca tinha tomado os vinhos da Stag’s Leap, uma das vinícolas californianas da disputa de 1976. Foi ver o filme, ter curiosidade e apareceu por aqui o atual diretor da empresa Al Portney para comandar uma degustação (Warren Winiarski, pioneiro que migrou para a Califórnia na pura coragem, professor de filosofia que foi fazer vinhos sem nenhuma experiência, já se apostentou e vendeu parte da propriedade, mas continua assinando os rótulos).

Ficou com água na boca?

Foi um ótimo painel. A má notícia é que a garrafa da foto abaixo, a mais famosa de todas as provadas, o Cask 23, custa US$ 425. A boa é que os básicões, bons Chardonnay e Merlot, da linha Hawk Crest estão em US$ 37,50. O Hawk Crest Cabernet Sauvignon decepcionou, muito curto, inexpressivo.

Já o Chardonnay Hawk Crest é bem pedagógico para entender a Califórnia, muita madeira, mas boa acidez que segura. Gostoso, até notável pelo preço (cerca de R$ 70 pelo câmbio de hoje). O Chardonnay Napa Valley Karia é bem mais elegante, mineral, mas custa US$ 69.

E o meu favorito da série foi o Artemis Napa Valley Cabernet Sauvignon 2005 (US$116,50), com um espetacular nariz bordalês e uma acidez de fazer salivar de vontade de tomá-lo com comida (tomamos, com carne muito suculenta preparada por Paola Carosella do Arturito). Eu anotei lá na hora, no entusiasmo: “elegância brutal”. Era uma tentativa canhestra de fazer um paralelo entre vinho e o Oeste e tal, uma coisa um pouco Gary Cooper. Juro que na hora fazia sentido…

[Vinhos importados pela Mistral]

Stags