Paladar

Luiz Horta

Montepulciano é meio lontano

18 fevereiro 2009 | 16:33 por Luiz Horta

A gente esquece como o vinho é importante nas cidades onde é produzido. Duas horas de onibus até Montepulciano, frio e vento, verdadeiro país-picolé. Cheguei exausto ao hotel Ambasciatori, uma construção,err, bem, da época da guerra. Uma daquelas termas, com banhos de sais e um ideal de saúde digamos, da época da guerra (não quero falar a palavra maldita).
Subi correndo, troquei de roupa, o jantar estava marcado para as 20 horas, “típico e relaxado congraçamento” dizia o programa.
Quando cheguei ao saguão a sociedade montepulciana em peso comparecia, as senhoras com cabelos produzidos e os senhores com sapatos de verniz, nem mais, nem menos.
Lembrei do personagem dos desenhos, saí rápidamente pela direita. Telefonei para o room service e sabe-se lá como consegui pedir em italiano um sanduba e um suco.Quem trouxe foi o próprio ambasciatore, um clone-maitre de Pirandello, casaca preta e bandeja de prata com um pano de linho cobrindo o repasto. Quando estiverem no quinto discurso eu estarei dormindo. E amanhã serei um dos poucos aptos a enfrentar os 34 produtores.

[em tempo: o sanduíche era ótimo. Pão fresco muito bom, prosciutto crudo de primeira cortado com esmero, queijo saboroso (não sei qual) e a grande surpresa: uma folha de alface, mas a folha de alface, a mais saborosa que já comi, acostumado a este pedaço de papel sulfite verde que temos no dia a dia. O hotel de Florença, metido a besta, para executivos, não conseguiu um feito igual, suco espremido na hora, sanduba de manual, pronto em minutos e servido com pompa. Dez para o Ambasciatori, velha hotelaria que quase sumiu ]