Paladar

Luiz Horta

Nos subterrâneos de Beaune com os Drouhins

31 julho 2013 | 23:57 por Luiz Horta

Um brinde com Luiz Horta

Com 73 hectares, a Maison Joseph Drouhin é tão antiga e grande (para o padrão de microespaços dos vinhedos borgonheses) que acabo esquecendo da qualidade que consegue.

É como os grandes produtores sul-americanos, estilo Concha y Toro. Tem linhas básicas decentes, pequenos nichos de vinhos espetaculares, ótimos vinhos para todo dia, vinhos caríssimos.

Ficou com água na boca?

Entrei nesse mundo Drouhin, as velhas caves dos Duques de Borgonha em Beaune, guiado pelo gigante (literalmente) Christophe Thomas (foto), bastante conhecido no Brasil, pois vem ao País desde o primeiro evento Encontro Mistral. Thomas tinha de andar curvado enquanto percorríamos subterrâneos de centenas de metros, velhos corredores cheios de garrafas ancestrais, uma rede de prateleiras que parecia um metrô em Beaune. Era como se percorrêssemos a cidade no subsolo.

FOTO: Luiz Horta/Estadão

Quando saímos da turnê pelo underground (agradável, pois fazia 32°C acima e cerca de 14°C lá embaixo), uma mesa com apetitosas garrafas nos esperava para a degustação, com um Clos des Mouches reluzindo no fim da linha, como um prêmio por bom comportamento.

Meus favoritos foram o Saint Véran 2010, muito mineral, bom corpo e acidez no lugar, salivante (R$ 120, Mistral, tel.: 3372-3400); o belíssimo Chassagne-Montrachet 2009 (R$ 329), toque picante no nariz, fino e equilibrado; o Chambolle-Musigny 2007 (R$ 347), com nariz floral, toque acaramelado, taninos delicados, boa evolução na garrafa e pronto para beber, puro refinamento. Thomas falou algo que gostei muito: “A natureza da Borgonha é a foto sem retoque, que aparece nos vinhos, refletindo cada estação e terroir. A enologia aqui funciona como uma espécie de photoshop”. E aí bebi meus dois favoritos, o Clos des Mouches 2007 rouge (R$ 418), vinho ícone da vinícola, poderoso, suculento, opulento, com muito tempo de vida pela frente, grande expressão da Pinot Noir no seu habitat mais natural, e o Chablis Vaudésir Grand Cru 2010 (R$ 354), que é caro, mas uma aula da região, com mineralidade calcária abraçando a língua e acidez vivaz e elétrica, pedindo goles grandes, algo que justifica o nome desta coluna, glupt!

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