Paladar

Luiz Horta

O querubim da Borgonha

02 abril 2010 | 12:42 por Luiz Horta

O querubim iconoclasta que agita os vinhedos da Borgonha
Publicado no Glupt! em papel, no Paladar de
11 de fevereiro de 2010
O Estado de S.Paulo

Phillippe Pacalet contraria as expectativas não só nos vinhos. Diante do que se ouve dele (radical, atrevido, iconoclasta), há uma tensão antes de encontrar o personagem que anda mexendo na Borgonha.

Mas ao contrário dos vinhos, que são de fato atordoantes (no bom sentido), Pacalet é tranquilo, amigável e tem um ar de criança traquinas com cabelo de querubim. Não ataca nada com contundência. Até sobre o polêmico assunto dos naturais (sem adição de dióxido de enxofre no engarrafamento) sua posição é pragmática: “Acho sim que o vinho natural é melhor, mas um pouco de SO2 preciso usar, para poder exportar”.

Ficou com água na boca?

A Borgonha é única? “A região é especial. Mas é preciso chegar aos grandes vinhos aos poucos. Primeiro as pessoas gostam dos potentes, adocicados, vinhos fáceis, da moda. Tem a ver com a cultura, leva tempo. Ninguém começa gostando de música erudita”, diz. Pensa um pouco: “Eu gostava de AC/DC, não gosto mais, estou ouvindo jazz, bossa nova…”

Pacalet veio ao Brasil apresentar seu segundo branco, um Meursault (o outro, um Chablis). O Meursault 2007 (World Wine tel. 3383-7477, R$ 471) é potente e elegante, com curioso toque de gengibre fresco no nariz. Tem manteiga evidente, mas nada de madeira, pois só utiliza barricas velhas. Um vinho-aula do que um branco deveria sempre ser. Dá para parafrasear os impressionistas: calma, elegância e voluptuosidade.

Serve o Chambolle-Musigny e não resiste: “Está um bombom! Meus vinhos são algo salgados, vão bem com peixe, é a mineralidade do meu solo. No Japão ficaram fascinados pela harmonia do Chambolle com sashimi, Borgonha e peixe cru…