Paladar

Luiz Horta

Onde comprar e o que comprar se tiver grana

14 junho 2012 | 18:55 por Luiz Horta

Comprar Bordeaux en primeur é possível no Brasil. Algumas poucas importadoras trabalham com os châteaux e vendem os vinhos. A Grand Cru divulgou na terça-feira, pelo seu site, a lista dos vinhos selecionados com os preços. O sommelier Fabiano Aurélio, no seu blog, oferece conselhos.

O pagamento da en primeur é à vista, embora as garrafas só venham a ser entregues em julho de 2014 – com o acréscimo dos impostos que vigorem na época. A World Wine, também tradicional vendedora, vai participar da campanha 2011, mas ainda não divulgou seus preços.

Não vou comprar nada, claro. Não sou colecionador e minha falta de paciência é enorme para que os vinhos cheguem e eu os beba. Mas se fosse comprar me concentraria nos vinhos que me deram prazer e com preço pagável.

Ficou com água na boca?

Confesso um certo desagrado com a transformação de vinho em commodity, vinhos que não são para serem abertos em algum momento, mas apenas revendidos bem mais caros. Por isso, sugiro os seguintes, entre os que provei e que estão na lista da importadora, gosto pessoal e bolso pessoal…

O Cantenac Brown com ótima acidez e taninos presentes, a 41 parece promissor. O do “meu” Pichon Baron, austero, taninos finíssimos, a 105. O Le Bon Pasteur, que me pareceu muito equilibrado, tendo provado também o 2010 e o 2009 e desconectando de vez a tola associação que fazia do Pomerol com potência. Elegante, ficou entre meus favoritos a 54. O Cos d’Estournel, que a cada safra parece ficar melhor (ou é porque eu gosto tanto?) da faixa de 3 dígitos, 156. O Pontet-Canet, biodinâmico de grande expressão, a 96. E para sonhar, o Lafite, sempre mais austero e aristocrático que todos, suma de Pauillac, que a 620 é algo intocável demais. Fica na memória e no desejo.