Paladar

Luiz Horta

Os cult Weinert

27 março 2010 | 07:28 por Luiz Horta

Velha Argentina ainda vive, passa bem e está de volta para quem gosta dela
publicado no Glupt! em papel, no Paladar de
18 de fevereiro de 2010
O Estado de S.Paulo

São os teimosos que salvarão o mundo dos vinhos insossos. Quem está acostumado com o estilo moderno dos argentinos, potentes, adocicados, cada vez mais pesados, e muita madeira, dando aquele sabor de baunilha, terá um choque provando um Weinert. A Bodega, situada em Luján de Cuyo, Mendoza, pertence à família brasileira Weinert, mantendo estilo clássico, quase desaparecido na região. A explicação está na história da vinícola, cujo primeiro enólogo foi o mítico Raúl de la Mota. O uso de madeira nova inexiste. Os tonéis são do tipo foudre, de 2 mil litros. Nada de barriquinhas temperadoras. Alguém falou em Tondonia? Passou perto. Os Weinerts não têm tamanha capacidade de guarda, mas igual fidelidade a si mesmos.

Mesmo com tudo isso e bom preço, andaram sumidos do mercado brasileiro. Iduna Weinert, proprietária, explica que metade da produção fica na Argentina. “Há cultores de nossos vinhos. Não sou radical, gosto do Catena e de muitos outros, como Zuccardi. Têm estilo, não seguem a moda. Os que copiam é que são… “. Educadamente, não termina a frase.
Os reservas são muito bons: Cabernet, Malbec e Merlot (R$ 55, INOVINI tel. 3623-2288). Toque francês sem perder o argentinismo, jamais. O auge é o Cavas de Weinert (um corte, R$ 78 ), o 2002 é um dos melhores argentinos que já tomei. Foi comparado com um 1997 que mostrava o que o tempo adicionara: fineza e complexidade. Quantos vinhos do continente são capazes da proeza? Diria que muito poucos.

Ficou com água na boca?