Paladar

Luiz Horta

Pouco álcool na boca dos outros é refresco

03 janeiro 2013 | 20:15 por Luiz Horta

A frase sempre causa estupefação, já até debati o assunto no blog e no Facebook: não bebo álcool com calor. Aquela garrafa geladinha de espumante dá a impressão de matar a sede, bebemos com sofreguidão, mas as letrinhas estão lá, no canto: 14° de teor alcoólico e depois vem mais calor. É tempo de suco, de chá mate gelado, de café com gelo (um dia isto chega aqui, é fantástico, mas precisa vencer resistências culturais. Minha fórmula é um copo long drink entupido de gelo, onde despejo 3 xícaras de expresso. É reconstituinte).

Passadas as festas, os volumes grandes de comida para inverno que consumimos no Natal e ano-novo, é hora do que chamo hepatoférias, o descanso restaurador para começar tudo de novo.
Mas os renitentes e vinomaníacos não precisam abandonar o vinho totalmente. Há garrafas para o verão. Não estou me referindo aos rosados falso-magros. Não é a cor que importa, mas o volume de álcool que contém.

Já provei muito rosé com 15°, e minha lembrança mais memorável foi o Torrontés Yacochuya, muito aromático, facílimo de beber, tomado lá em Salta, extremo norte da Argentina. A garrafa desapareceu em minutos e não matou a sede: o rótulo exibia a chocante marca de 15.3 volumes de álcool por litro, praticamente um Porto. Pensando bem Porto é uma ideia, o branco.

Ficou com água na boca?

As alternativas são: alguns deliciosos Rieslings alemães com menos de 10° de álcool (sim, eles existem. Apesar do efeito estufa e da dificuldade dos produtores para fazer trocken – os secos –, as uvas estão amadurecendo demais e de modo brutal. Para quem quiser um Riesling seco de estirpe, o Egon Muller Scharzhof, com singelos 9 volumes de álcool, praticamente uma cerveja forte. Ele mais uns camarões na praia são a perfeição (eu tiraria a praia, mas admito que vocês gostem).

E os drinques. Raramente drinques com vinho dão certo. Mas há alguns. O Porto branco com tônica é um que funciona. Outro são as amáveis misturas de suco de fruta e o espumante que sobrou de ontem na geladeira. Michael Broadbent sempre começa o dia com uma mimosa: uma parte de champanhe francês (ele pode) e outra de suco de laranja.

FOTOS: Felipe Rau/Estadão

MIMOSA
1 parte de espumante
1 parte de suco de laranja

PORTO TÔNICA
50 ml de Porto
Completar um copo longo com água tônica ou club soda.

FOTOS: Reprodução

Fonseca – Excelente
Equilibrado, com a doçura evidente na boca. É delicado e vai produzir um porto tônica mais suave.

Niepoort – Excelente
Como a marca registrada de Dirk Niepoort é a acidez, este é o melhor Porto para drinques, porque tem uma boa acidez que se sobressai sobre o adocicado.

Noval – Excelente
Mais sério, muito equilibrado. Quer saber? Esqueça a tônica. Beba frio e sozinho!

>> Veja todos os textos publicados na edição de 3/1/13 do ‘Paladar’

Tags: