Paladar

Luiz Horta

Surfando em vinho taitiano

09 janeiro 2013 | 23:03 por Luiz Horta

Um brinde com Sébastien Lapaque 

Esses franceses são uns loucos!Já se sabia que conseguem fazer vinho em quase qualquer quebrada de seu país; que são capazes de levar sua ciência vinícola para os grandes terroirs do sul. O que não se imaginava era que um deles tivesse a ideia de produzir um vinho francês… bem no meio do Pacífico.

Dominique Auroy, que vive na Polinésia Francesa há mais de 40 anos, conseguiu criar, após dez anos de pesquisas, o vinho do Taiti. Sua primeira safra, de 1992, foi feita com apenas alguns quilos de uvas colhidas. Hoje, com dez hectares de vinhas plantadas sobre o coral do Atol de Rangiroa, no Arquipélago de Tuamotu, Dominique produz de 35 mil a 40 mil garrafas duas vezes por ano.

Ficou com água na boca?

“O mais complicado foi o domínio do ciclo vegetativo e da exposição ao sol”, explica Dominique em sua casa de Papeete, em cima de uma adega de 20 mil garrafas. “Na Polinésia, as estações são pouco definidas. No tempo da maturação, temos sol entre 11h30 e 12h30. É muito pouco. Após muitas pesquisas, que nos permitiram definir o tamanho do terroir em um clima tão singular, descobrimos que aqui a vinha tem um ciclo de 5,5 meses, o que nos leva a fazer 2,1 colheitas por ano.”

De fato, é difícil imaginar um terroir mais original. “O ambiente é muito marítimo. De manhã tem maresia. É como se plantássemos a vinha em um porta-aviões.” Mas qual casta?

“Aí também as pesquisas foram longas. Testamos uma centena de cepas. Só três se mostraram adaptáveis: a Carignan, a Moscatel de Hamburgo e aIitália. A que melhor se adaptou às condições extremas do Pacífico Sul foi a Carignan, abundante no Languedoc-Roussilon.”

A grande sacada de Dominique Auroy e sua equipe foi a opção pelos brancos. Ela deu origem a vinhos frutados e leves, muito aromáticos, impossíveis de qualificar numa degustação às cegas. Porque o vinho do Taiti é muito fresco.

A Carignan, associada à Moscatel de Hamburgo e à Itália, permite produzir um vinho delicado. O Nacarat rosé é fresco e frutado. Dominique Auroy, que prossegue em suas pesquisas, ainda não está satisfeito com seus tintos. Mas já pode se orgulhar de ter produzido no Taiti um vinho que gosta de surfar.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 10/1/13 do ‘Paladar’

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