Paladar

Luiz Horta

Tarde fria, taça vazia

20 julho 2009 | 19:48 por Luiz Horta

Hoje rolou um vinho “básico”, assim como quem não quer nada, surpresa suprema numa 2a: um Hermitage “La Chapelle” 1997.

Se fosse só para cheirar já bastaria, imponente, tem aquele aroma de grandeza, o nariz pinica com a pimentinha da Syrah, a evolução acrescenta um toque de ameixas pretas, couro, leve licoroso. Na boca tem até um pouco de fumo de rolo e é longo e saborosamente ácido. Você sabe que está diante de uma coisa importante, como uma catedral, mesmo tendo apenas aquela famosa capelinha no rótulo.

Na taça parece um salão enorme, destes bem vazios, em que os passos ecoam no chão de madeira, tem tantos meandros que quase ela te bebe e não o contrário. Se fosse uma pintura, seria um Caravaggio, com claros e escuros (mais escuros)…o dramatismo que os ibéricos definem tão bem como tenebrismo. Vinho de São João da Cruz para cima.

Ficou com água na boca?