Paladar

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Ações voltadas para o mercado da cachaça

Ações voltadas para o público e para o mercado são primordiais para difundir a "cultura da cachaça" e quebrar os preconceitos que ainda persistem. Confira cursos, feiras, eventos e degustações que acontecem em SP e RJ

16 agosto 2017 | 10:44 por Mauricio Maia

Retomando o assunto do último post, coloco algumas das questões que talvez ainda façam o consumidor preferir destilados importados a cachaça. A base de tudo é que o brasileiro ainda não conhece a cachaça. Mesmo após séculos do início da campanha difamatória por parte da Coroa Portuguesa para induzir ao consumo dos produtos importados de Portugal, como o vinho, o vinho do porto e a bagaceira, o brasileiro de uma maneira geral ainda enxerga a cachaça como um produto de segunda classe. Não raro escuto em palestras e degustações algum participante afirmar que não imaginava que tínhamos cachaças “com tamanha qualidade e sabor”. É isso. Desconhecendo o produto, sem informação, o consumidor acaba optando por destilados estrangeiros acreditando que vão oferecer mais “qualidade”.

Outra questão é que as marcas de cachaça de uma maneira geral (não gosto de generalizações, mas é o caso) não se veem como parte de uma categoria de bebidas, a dos destilados. Sempre que alguma outra bebida -como o rum pr exemplo – é citada, a resposta é sempre a mesma: “não produzo rum (ou qualquer outra bebida), produzo cachaça”. Como se cachaça não fosse um destilado.

Porém, a luz no fim do túnel é que diversas marcas estão chegando ao mercado pelas mãos de pessoas que tem a cachaça como um negócio, com planejamento, estudo de mercado, benchmarks, estudos de casos, etc. Isso faz com que essa visão isolada, da cachaça como um mártir, caia por terra. Ainda bem.

 

Santo Grau Cachaça Negroni

Santo Grau Cachaça Negroni: o clássico negroni ganha cores brasileiras quando preparado com cachaça. FOTO: Divulgação

 

São diversos os exemplos que posso citar. Desde ações individuais de algumas marcas, como eventos, feiras, cursos e outras ações que estão pipocando Brasil a fora quase que diariamente. Um bom exemplo é a ação da cachaça Santo Grau em conjunto com o bar Original. Conhecida pelo chope, para dar uma “quebrada” no gelo, a casa inova e cria seleção de oito drinques clássicos preparados com alguma das seis variedades da marca Santo Grau em lugar dos destilados das receitas originais. São adaptações criadas pelo bartender Rogério Souza, Frajola para íntimos, que apresenta coquetéis como o Cachaça Negroni, Cachaça Sour, Bloody Mary, Cachaça Mojito, e Solera Manhattan, que leva a Cachaça Santo Grau Solera 5 Botas no lugar do whisky.

Vale também destacar a presença da cachaça em diversos eventos gastronômicos, como o 8º Festival Macaé de Cultura e Gastronomia que começa quinta-feira, 17/8 e vai até domingo, 20/8, com atrações gastronômicas, musicais e literárias, onde na sexta-feira a sommelier de cachaça Isadora Bello Fornari apresenta um painel sensorial sobre o destilado brasileiro, conduzindo uma degustação passando pelos sabores, pela história e pelo mercado da branquinha.

 

Isadora Bello Fornari

A sommelier de cachaça Isadora Bello Fornari comanda a degustação de cachaças no 8º Festival Macaé de Cultura e Gastronomia no dia 18/8 às 20h. FOTO: Divulgação

 

Em São Paulo, no Pavilhão do Anhembi, dias 20 e 21/9, acontece a primeira edição da Cachaça Trade Fair, um evento absolutamente focado no B2B da cachaça. Como uma feira voltada exclusivamente aos negócios, estará aberta apenas para o público on-trade e portadores de CNPJ, como proprietários de bares, restaurantes, gestores de alimentos e bebidas de supermercados, hotéis, lojas de bebidas, grandes atacadistas, importadores internacionais, jornalistas especializados etc. Algo inédito e bem-vindo para um mercado onde as feiras são normalmente voltadas ao público consumidor.

Neste final de semana, de 18 a 20/8, acontece o Festival da Cachaça, Cultura & Sabores de Paraty, também conhecido como o Festival da Pinga de Paraty, onde o público além de diversas atrações artísticas, pode provar as cachaças produzidas na região além de visitar os alambiques que abrem suas portas durante o evento.

E para fechar, cito o trabalho que vem sendo realizado pelas diversas confrarias espalhadas pelo país, como a Confraria Paulista da Cachaça, que realiza encontros bimestrais para divulgar, além de marcas, o conceito de uma boa cachaça e sua correta apreciação com calma atenção e consumo moderado, com a interação entre apreciadores, novos consumidores, especialistas e produtores. Por falar nisso, nesta quarta-feira (hoje – 16/8), acontece seu 17º Encontro Aberto, em São Paulo, com a participação de 5 (cinco) marcas de diversas regiões e palestras de especialistas. Se você quer conhecer um pouco mais sobre nossa pinga além de provar cachaças espetaculares, você não pode perder. Saúde.


Serviço:
17º Encontro Aberto da Confraria Paulista da Cachaça
Data: 16/8, quarta-feira, das 19h às 23h
Onde: Barnaldo Lucrécia – Rua Abílio Soares, 207, Paraíso (www.barnaldolucrecia.com)
Valor da entrada: R$ 40

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