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Cachaça boa é cachaça legal: a importância de consumir bebidas registradas

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Cachaça boa é cachaça legal: a importância de consumir bebidas registradas

A venda de cachaça sem os devidos registros prejudica todo o mercado e pode até comprometer a sua saúde

07 dezembro 2016 | 19:57 por Mauricio Maia

Muitas vezes precisamos abordar assuntos que não são muito agradáveis, porém é importante que o apreciador de cachaça tenha informação suficiente para que possa fazer a melhor escolha na hora de comprar a bebida.

Uma das questões mais delicadas hoje no mercado da cachaça é a questão da informalidade. Para abrir e operar um alambique é necessário que se sigam diversas normas e regulamentos técnicos estabelecidos por diversos órgãos governamentais. Anvisa, Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Receita Federal, órgãos estaduais de água e saneamento, prefeituras e outros. É necessário também coordenar e compreender todas as normas, muitas vezes conflitantes, o que é uma tarefa muito difícil e onerosa para o pequeno produtor e, muitas vezes, acaba levando essas empresas a funcionar na informalidade.

 

Selo contra a cachaça informal

Campanha feita pelos organizadores da ExpoCachaça alertando sobre os riscos de se consumir cachaça informal. FOTO: Reprodução/ExpoCachaça

 

Estima-se hoje que o Brasil possua cerca de 15.000 alambiques instalados e, segundo dados do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça), menos de 2.000 possuem os devidos registros e autorizações. Apesar de 90% do volume total de cachaça produzida anualmente no País ser legalizada, cerca de 85% dos produtores, em sua maioria micro e pequenas empresas, operam na informalidade.

A informalidade prejudica o mercado, pois reduz a arrecadação de impostos, diminuindo a capacidade do governo de investir em melhorias na capacitação e fiscalização do setor. Além disso, pode colocar em risco a sua saúde.

Para possuir o devido registro do Mapa, um alambique e seus respectivos produtos precisam seguir rígidas normas sanitárias, um extenso manual de boas práticas de produção e possuir um controle rígido da composição química da bebida. Isso se faz através de análises laboratoriais que atestam que a cachaça em questão tem sua composição dentro das normas e limites estabelecidos pelo governo, sendo considerada segura para o consumo humano.

Além do registro, a garrafa precisa ter também o famoso selo do IPI da Receita Federal, um selo impresso em papel moeda com detalhes de segurança semelhantes a uma nota de dinheiro, que atesta que a empresa recolhe o respectivo imposto.

 

Cachaça Legal IBRAC

Campanha do IBRAC – Instituto Brasileiro da Cachaça sobre a cachaça legalizada. FOTO: Reprodução/IBRAC

 

Já em uma produção informal, o produtor muitas vezes não adota essas práticas, produz sem nenhum controle e depois comercializa sua cachaça a granel, em bombonas plásticas e garrafões de vidro de 5 litros, ou pior, em garrafas PET reaproveitadas de águas e refrigerantes. Muita vezes, essa cachaça carrega substâncias que podem ser extremamente nocivas à nossa saúde, como o carbamato de dtila (potencialmente carcinogênico), o cobre (que pode causar cirrose e falência hepática e renal) e o metanol (que causa sequelas crônicas, como neuropatia óptica, cegueira e doença de Parkinson).

Por todos esses fatores é muito importante que o consumidor esteja atento. Sabe aquela cachaça da roça, que o vizinho do sítio do seu cunhado produz no interior e ele traz para você em um garrafão reaproveitado de vinhos de baixa qualidade, que pode até ser bem saborosa? Então, pode ser um veneno para a sua saúde. Evite a todo custo!

Aproveitando a falta de informação, existem produtores que vendem sua cachaça ilegalmente em bares e restaurantes e o comerciante, visando apenas o lucro, serve a bebida irregular, informal e ilegal para seu cliente, prejudicando toda a cadeia produtiva, o mercado de uma forma geral e, ainda mais grave, pondo em risco a sua saúde.

Portanto, quando for comprar uma cachaça, procure no rótulo o devido registro no Mapa (já fiz um post sobre como interpretar as informações obrigatórias de um rótulo de cachaça) e, se estiver tomando uma dose em um bar ou restaurante, exija que a garrafa seja trazida à mesa e servida na sua frente para que você possa observar o rótulo e checar as informações, pois além de garantir a segurança para a sua saúde, pode ser bem instrutivo e agradável ver toda informação contida ali.

Saúde! (Sempre!)

 

Obs.:
Evite o consumo excessivo de álcool.
A venda de bebidas alcoólicas é proibida para menores de 18 anos.
Se beber não dirija.

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