Paladar

O Cachacier

Tudo sobre cachaça, por Mauricio Maia

Caipirinha com cachaça envelhecida? Pode sim!

A madeira onde é envelhecida a cachaça pode acrescentar complexidade e muitas camadas de sabor à autêntica caipirinha e às suas variações

11 janeiro 2017 | 12:29 por Mauricio Maia

Existe uma máxima que diz que caipirinha deve ser feita com cachaça branca. Conheço muita gente que acredita nisso, então, sinto muito se vou derrubar algumas crenças. Cachaça envelhecida vai muito bem na receita da legítima caipirinha – para quem não sabe a caipirinha é protegida por lei, e só pode ser feita com cachaça, limão e açúcar – e também fica excelente em suas variações, misturadas a outras frutas que a riqueza natural do Brasil nos proporciona.

Porém, devemos ter alguns cuidados antes de sair colocando aquela cachaça envelhecida por oito anos em barris de carvalho no copo com limão e açúcar. É preciso que, antes de tudo, entendamos os sabores envolvidos, pois cada combinação de madeira, tamanho do barril e tempo de envelhecimento confere um sabor diferente à cachaça. E cada cachaça vai interagir de maneira diferente com o limão, ou outras frutas, e o açúcar.

 

Caipirinha 3 limões do Bar Veloso

A caipirinha do Bar Veloso, combina três limões e cachaça envelhecida em carvalho europeu. FOTO: Divulgação

 

Para exemplificar, vamos pegar o exemplo citado acima: uma caipirinha clássica utilizando uma cachaça envelhecida oito anos em tonéis de carvalho americano. Essa madeira possui características extremamente suaves, notas de baunilha e caramelo, o que confere à cachaça sabor bastante adocicado e com baixíssima acidez. Bem, se a bebida já é doce, devemos reduzir a quantidade de açúcar e ver se conseguimos equilibrar o resultado final. Sim, o ponto chave é o equilíbrio.

Um outro exemplo seria uma caipirinha com cachaça envelhecida em amburana com abacaxi. A doçura da amburana combina muito bem com a acidez e a certa doçura do abacaxi, mas devemos mais uma vez ter cuidado com o açúcar.

Para fechar dou mais um exemplo: preparar o drinque com uma cachaça envelhecida em bálsamo com limão-cravo – também conhecido em algumas regiões como limão-capeta. A alta acidez desta variedade de limão é equilibrada com a adstringência conferida à cachaça pelo bálsamo. Neste caso, creio que podemos abusar do açúcar. Ou não. Vai depender de seu gosto pessoal.

Por isso o segredo é experimentar. Conhecer os sabores e características de cada uma das madeiras mais utilizadas para o envelhecimento de cachaças – amburana, bálsamo, carvalho europeu, carvalho americano, canela-sassafrás, jequitibá, e outras mais. Conhecer o sabor de cada uma das frutas de que gostamos e pretendemos utilizar – limão, limão-cravo, limão-siciliano, lima-da-pérsia, abacaxi, carambola, jabuticaba, caju, etc. E, então, conhecer como todos estes sabores combinam entre si. Prove as cachaças, prove as frutas, e misture tudo.

Saúde!

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