Paladar

Ainda sobre o excesso de madeira nos vinhos

07 novembro 2014 | 17:31 por Marcel Miwa

Uma opinião que vale a pena conhecer sobre o tema do uso de carvalho nos vinhos é de Christian Seely, uma das mais influentes figuras do mundo do vinho.

Christian Seely

Ficou com água na boca?

O diretor da AXA Millésimes, que comanda propriedades do quilate dos Châteaux Pichon-Baron (Pauillac), Suduiraut (Sauternes) e Petit-Village (Pomerol), comentou que mesmo nas vinícolas europeias alguns excessos foram cometidos. “Tenho a impressão que nas regiões onde produzimos vinhos mais potentes, como Quinta do Noval e Romaneira (onde é sócio), no Douro, Mas Belles Eaux, no Languedoc, e Château Petit-Village, em Pomerol, houve certo excesso no uso do carvalho nas primeiras safras que assumimos”, diz Seely.

O inglês tem a impressão que vinhos mais potentes extraem os componentes da madeira com maior vigor, por isso acredita que o uso do carvalho no Novo Mundo esteja mais comedido. O álcool e a concentração “sugam” mais a madeira, por isso Seely entende que a fórmula clássica para amadurecer vinhos de regiões europeias de clima frio não vale para regiões de clima quente. “Foi um aprendizado. Em Petit-Village utilizávamos 80% de barricas novas nas primeiras safras (o château foi incorporado a AXA Millésime em 1989) e hoje não chegamos a utilizar 50% de barricas novas”.