Paladar

Brasileiros em Montalcino II – Argiano

14 maio 2014 | 17:28 por Marcel Miwa

Hans Vinding-Diers: enólogo dinamarquês, nascido na África do Sul, trabalha na Itália (Argiano) e é sócio de vinícola na Argentina (Noemía)

FOTO: Marcel Miwa/Estadão

Ficou com água na boca?

A tradicional vinícola toscana Tenuta di Argiano, comandada por um grupo de investidores brasileiros desde 2013, anunciou a primeira grande mudança em seus vinhos. O enólogo dinamarquês Hans Vinding-Diers esteve no Brasil e comentou que o supertoscano Suolo deverá ser rotulado como um Brunello di Montalcino “single vineyard” Suolo. Produzido com 100% de Sangiovese das videiras mais antigas da propriedade (65 anos de idade), o vinho apenas precisa adaptar o período de estágio nas barricas para se enquadrar nas regras da DOCG Brunello di Montalcino, a primeira região italiana a obter esta classificação. Explicando de forma mais concreta, hoje o Suolo passa de 15 a 18 meses em barricas de carvalho, enquanto o mínimo estabelecido pelas regras da DOCG é de 24 meses. Os demais processos de produção já estão de acordo com as normas.

Como se trata do principal vinho de Argiano espere por um preço elevado. Hoje, cada garrafa das 3.000 produzidas do IGT Suolo 2008 custa R$ 650,00 (importado pela Portus Cale).

Foto: Divulgação

Em um plano mais acessível vale provar o Argiano Rosso de Montalcino 2010 (R$ 130,00). Apesar das condições climáticas desfavoráveis de 2010, o resultado aqui foi surpreendente. O vinho está com aromas bem definidos e intensos de cereja, frutas vermelhas frescas e especiarias (baunilha, cravo e canela). Apenas 20% do vinho passa por barricas de carvalho (225 litros). A maior parte estagia em grandes tonéis de carvalho da Eslavônia (3.000-5.000 litros), o que permite a boa expressão da fruta e apenas um complemento de especiarias. Aqui há concentração e intensidade incomuns para a categoria.