Paladar

Parece mato, mas é de comer

Parece mato, mas é de comer

31 julho 2011 | 22:24 por Fernanda Yoneya

Manjericão. CRÉDITO: FELIPE RAU/AE

O dia começou fechado, mas a chuva fraca que caiu pela manhã até ajudou no passeio. Afinal, “sem chuva, nada brota”, diz a nutricionista Neide Rigo. Autora do blog Come-se, Neide guiou, hoje, um pequeno grupo de curiosos pelas ruas e praças da City Lapa em busca de matinhos comestíveis e árvores frutíferas que passam despercebidas a olhos pouco atentos.

Ficou com água na boca?

A andança, batizada de Gastronomia selvagem – passeio pela flora comestível, era parte da programação do Paladar – Cozinha do Brasil, evento que terminou hoje no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

 Mandioca. CRÉDITO: FELIPE RAU/AE

Começamos a caminhada pela R. Belmonte, onde fica o Centro Esportivo Edson Arantes do Nascimento, conhecido como Pelezão, onde já encontramos um pé de limão-cravo. Não estava muito carregado, mas já deu pra ter uma ideia do que viria pela frente. Logo Neide identificou a barba-de-falcão, espécie da família da alface que pode ser consumida como salada ou refogada (se as folhas estiverem firmes) e o mentruz rasteiro, cujo sabor lembra o da rúcula (Neide havia preparado, para o passeio, uma manteiga com mentruz). 

Caruru. CRÉDITO: ALEX SILVA/AE

Na Praça Ézio Donati, mais espécies comestíveis: além de espécies frutíferas como uvaia, amora e nêspera, Neide nos mostrou cúrcuma (ela também tinha preparado e trazido para o passeio um pão feito com cúrcuma), cujas folhas servem para embalar alimentos e a raiz, em pó, dá cor a qualquer prato; e dente-de-leão, que vira geleia na Alemanha e cuja raiz pode ser refogada no azeite.

Mais à frente, já na R. Barão de Passagem, um canteiro repleto do que procurávamos: serralha; trevos; jerivá; beldroega; além das medicinais quebra-pedra e pata-de-vaca. Entre a Praça Antonio Tuzzolo e as Ruas Racine e Aliança Liberal, mais surpresas: limão-rosa, mamão, abacate, inhame, taioba, jurubeba, caeté e até um tímido pé de tomate.Já entre a R. Brigadeiro Gavião Peixoto e as Praças Senador José Roberto Leite Penteado e Angelo Rivetti, physalis, castanheira-da-índia, , jaca, jatobá, pitanga, manga, umê, tamarindo, ingá, coco, cereja do Rio Grande, café, romã e até almeirão. Por fim, louro e curry.Curiosa nata e com muito discernimento para saber o que pode ser consumido, Neide explicou, a cada parada, que “planta” era aquela e como poderia ser preparada: se refogada, crua, em saladas, sopas, em rodelas, inteira. Mas avisou: “Tudo o que consumo é por minha conta e risco.”

Leia a reportagem Brotos do asfalto: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos+paladar,brotos-do-asfalto,4485,0.shtm

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