Paladar

Chez Saul – 01/02/2008 – Kinoshita

12 fevereiro 2008 | 22:56 por Jamil Chade

O Kinoshita já era sucesso mesmo antes de sua inauguração oficial. A cozinha “kappo” do grande chef Murakami continua espetacular e mais do que criativa, vai muito além dos clichês, dos sushis e sashimis. Os preços desses cardápios especiais ainda não foi fixado, deverá ir de R$ 180 a R$ 230. Murakami explica que kappo é a designação japonesa de “alta cozinha”, de autor, na qual só são utilizados ingredientes de primeira e que estão na época certa.

Murakami já provou a sua grande capacidade no pequeno e acanhado Kinoshita da Rua da Glória, que pertencia a seu sogro. Agora, a família está reunida no lindo e caprichado restaurante da Vila Nova Conceição. No dia da visista o velho Kinoshita estava na casa, ao lado da filha Susana e do filho Wilson, um craque na cozinha e na elaboração de sushis, que deixou o célebre Nobuo de Nova York para participar do empreendimento.

Murakami se associou ao caprichoso empresário Marcelo Fernandes, que foi sócio de Alex Atala no DOM e participa do gostoso bar-restaurante Mercearia do Francês, na Rua Itacolomi, Higienópolis.

Ficou com água na boca?

Marcelo não esconde seu entusiasmo com a nova casa. Quando vendeu sua parte no D.O.M., ele encomendou uma pesquisa para saber qual o tipo de restaurante a cidade queria. O resultado foi algo parecido com o atual Kinoshita, que foi planejado até os pequenos detalhes. Para cuidar dos pormenores, eles foram para o Japão conhecer restaurantes e comprar objetos, como as famosas louças de estilo Harita, que também são usadas pela família real eacas que são verdadeiras obras de arte. Até os hoashis, os palitinhos estão sendo importados do Japão.

Ele garante que não economizou e quem for até o restaurante e prestar atenção aos detalhes poderá verificar que não exagera. O projeto é de Naoki Ohtaki. A fachada do restaurante revela um bom gosto sem exageros, com longas e sinuosas lanternas japonesas de papel num grande janelão, visíveis da rua. Jardins planejados por Jacques Elkis, com muitos arbustos e uma árvore anã que veio do Japão. As armações de madeira e de bambu são todas encaixadas, sem pregos e o ideograma que identifica o restaurante foi discretamente gravado na parede frontal.

Na frente da casa, separado do salão por portas de vidro, protegido por armações de madeira, um ambiente externo, com umas cinco mesas fixas, que só podem ser usadas em dias sem chuva, pois não há cobertura. Coisas do zoneamento da cidade. O único lugar onde é permitido fumar.

Salão estreito com um grande e bonito balcão sem as tradicionais geladeiras cheias de peixe como nas casas de sushi. Atrás do balcão, o fogão e outros apetrechos de cozinha, onde trabalham Murakami e seus auxiliares.

No andar superior, o bar para aguardar mesas e uma bela adega. A casa já tem uma bela oferta de vinhos, entre os quais vários espumantes e Champagnes. Dezesseis vinhos em copos ou em meias garrafas, o que é simpático. Entre os vinhos em copo, um Krug Grand Cuvée, que custa R$ 185 (garrafa, R$ 740).

Copos muito adequados e uma carta de saquê supervisionada pela jovem especialista japonesa Shisato.

Provei um menu degustação quando o restaurante ainda não estava aberto ao público, estava apenas servindo convidados especiais. Excelente do começo ao fim, mas demorado, como deve ser. Murakami explica que o conceito de kappo cuisine é mesmo um pouco demorado, pois os pratos são acabados na hora. É preciso um pouco de contemplação e deixar a pressa na porta.

O jantar começou com uma pequena entrada, servida na metade de um limão, feita com mini-champignons japoneses cortados em tiras finíssimas com fatias igualmente finas de quiabo orgânico.

No mesmo nível, a posta de salmão marinada durante uma semana no missô e saquê mirin servido com moho teriyaki. Salada de frutos do mar artisticamente montada, com camarão mais do que saboroso, vieira com suas ovas, ramos de aspargo e polvo no ponto certíssimo Tempero de missô com mascarpone.

Para uma espécie de intervalo, lichias servidas com pepino em fatias e um tipo de pimenta. Segundo Murakami, deve-se misturar o pepino com a pimenta e depois comer com a fruta doce para aproveitar o contraste.

O molho de soja que é servido com os sushis e sashimis é preparado por Murakami. Uma mistura do shoyu tradicional com mirin (saquê doce) e missô. Sente-se o toque do saquê no molho delicado.

Excelentes os sashimis de olho de boi, de salmão e de atum. Também ótimos os sushis atum (se desfazendo na boca), olho-de-boi e de mariscos importados do Japão, durinhos e muito saborosos.

Onde: R. Jacques Felix, 405, V.Nova Conceição, 3849-6940 (66 lug.).
Quando: 19h/0h (fecha dom.).
Quanto: Cc.: M. Couvert.: R$ 8. Manob.: R$ 10.