Paladar

Costela com ótimo tinto argentino no domingo

Costela com ótimo tinto argentino no domingo

18 abril 2007 | 11:02 por Jamil Chade

Continuo achando que a costela de Kobe Tropical do Rubaiyat o melhor churrasco que comi ultimamente. Mas meu entusiasmo inicial com as carnes de boi japonês wagyu, famosas pela marmorização, pela quantidade de gordura, está arrefecendo um pouco. Eles são mais chamados de Kobe Beef.

Já provei um wagyu puro e não gostei. A tem tanta gordura que fica branca. Seu paladar fica um pouco enjoativo, doce e sua textura mole demais. O churrasco deve sempre dar um pouco de trabalho para os dentes. É uma carne caríssima, que não foi “bolada” para ser grelhada. Deve ficar muito melhor em outras receitas, como o sukiyaki. Na brasa, não é lá essas coisas.

Aqui, felizmente, temos ótimos churrascos feitos com animais frutos de cruzamentos da raça japonesa wagyu com outras raças, que estão sendo servidas pelas duas melhores churrascarias de São Paulo, Rubaiyat (Al.Santos, 86, tel. 3289-6366 e Av.Faria Lima, 2.954, 3078-9488) e Varanda Grill (Rua General Mena Barreto, 793, tel. 3887-8870.

Ficou com água na boca?

A carne da Rubaiyat vem da fazenda da família dos proprietários, em Mato Grosso do Sul. Belarmino achou um nome muito feliz – Kobe Tropical. Segundo ele, um cruzamento de wagyu com brangus, que por sua vez, é uma mistura de gado zebu com a raça européia angus.

Kobe Tropical

Os churrascos feitos com cortes do contrafilé (master bee, rib eye, bisteca e outras denominações) são ótimos, mas não fazem tanta vantagem diante das ótimas carnes dessas duas churrascarias (nacionais e argentinas). O rib eye “normal” da Varanda Grill é espetacular tão bom quanto o de wagyu. O mesmo acontece nos assados similares da Rubaiyat.

Já o caso da costela de Kobe Tropical é um caso à parte. No domingo, fui sozinho ao Rubaiyat da Santos especialmente para comer essa costela, que é mais do que macia, gordurosa no ponto certo e com um sabor delicado.

Uma costela de exceção, que dispensa as preparações tradicionais com muito tempo de grelha e que pode ser servida ao ponto, ainda rosada. Para acompanhar, apenas a farinha de mandioca.

Uma delícia, muito bem complementada pelo vinho T.ikal Patriota2004, um corte de Bonarda (60%) com Malbec, sugerido pelo sommelier Márcio. A Tikal é ligada à Catena e o nome Patriota é uma homenagem às duas cepas que compõem, segundo o produtor, a espinha dorsal da indústria. Normalmente, as carnes vermelhas mais potentes, como a costela, pedem vinhos encorpados, tânicos.

O Tikal Patriota é mais elegante do que potente, mas foi muito bem com a carne, que também é delicada, suave mesmo. Aroma de frutas, redondo e equilibrado na boca. Pronto para beber. Taninos finos, suaves (R$ 108 na churrascaria).