Paladar

Degustação de vinhos O. Fournier

Degustação de vinhos O. Fournier

24 maio 2008 | 13:03 por Jamil Chade

f

Vinho, quanto mais velho melhor. Quanto mais velha a videira, melhor o vinho. A primeira afirmação é totalmente falsa, pois a imensa maioria dos tintos, brancos e rosados são feitos para consumo rápido e não têm nada a ganhar com o tempo. Já a segunda frase está muito mais perto da verdade, como pude comprovar numa viagem promovida pela O. Fournier para provar seus vinhos na Argentina (foto da Bodega acima) e no Chile.

Em Mendoza, essa vinícola só usa uvas de plantas e mais de 30 anos em seus vinhos de ponta, os das linhas B. Crux, A. Crux e O. Fournier (a qualidade e o preço vão subindo). Os produtos de plantas mais novas vão para as linhas mais simples, de nome Urban Uco, que podem ser bons, mas a ficam num nível consideravelmente inferior (e custam também muito menos, são mais par o dia-a-dia).

Ficou com água na boca?

José Manuel Fournier, o dínamo dessa empresa, que largou uma mais do que promissora carreira de banqueiro para se dedicar aos vinhos, é um grande entusiasta, perfeccionista e não admite produtos de classe feitos com frutos de videiras novas em seus empreendimentos na Espanha (vinhos Spiga, de Ribera del Duero) e de Mendoza (Valle de Uco). Atualmente, ele está investindo em vinhedos antigos e plantando novos no Valle del aule e em San-Antonio Leyda, Chile.

Na Argentina, a O. Fournier concentra suas atividades no frio Valle de Uco, longe de Mendoza e mais perto dos Andes. Uma região de grande futuro, que vem atraindo grandes nomes da vinicultura mundial.

Selecionar videiras velhas, principalmente de Malbec, não chega a ser um problema na Argentina. A O. Fournier encontrou ainda vinhedos antigos de Tempranillo numa zona bastante fria (Chilecito), cujas uvas usa em seus vinhos.
Foi um privilégio provar os vinhos argentinos da O. Fournier ao lado de José Manuel Fournier e de seu enólogo- chefe, José Spisso, também um entusiasta detalhista.

Segundo eles, a safra de 2008 vai ser excelente. O ano começou muito mal, com chuvas, mas depois as coisas passaram a correr bem e os vinhos estão excelentes. Outras safras excepcionais que os consumidores devem procurar nos rótulos dos vinhos de Mendoza: 2006, 2005 e 2002.

Os vinhos provados na moderníssima e mais do que funcional bodega do Valle de Uco, que lembra um “disco voador tendo os Andes como fundo, confirmaram, de modo geral, a excelência dessas safras.

Alguns dos melhores tintos provados, todos potentes, concentrados, equilibrados com alta graduação alcoólica, talvez um pouco demais:

B. Crux 2002 – Corte de Tempranillo (60%); Malbec (20%) e Merlot (20%) de 3 zonas do Valle de Uco, com 12 meses em barricas, metade das quais novas). Aroma potente, com bom equilíbrio madeira e frutas. Algo floral. Complexo, encorpado e com taninos finos. (92/100 pontos).

B. Crux 2005 – Corte de Tempranillo (60%), Malbec (35%) e Syrah (5%). Um belo aroma, fresco, com algo de violeta, que deve ser originário da Malbec. Encorpado,e muito longo. Ficou impressão gostosa durante um bom tempo na boca. 14,5% de álcool. (92/100 pontos).

A. Crux 2001 – Corte de Tempanillo (70%), Malbec (20%) e Merlot (10%). Apesar da idade, cor de vinho novo, quase violáceo. Aroma ótimo. Primeira impressão na boca deliciosa, mas depois cai um pouco. Um vinho encorpado, com grande estrutura. Ainda tânico. Ressecou um pouco a boca. 14% de álcool. (91/100 pontos).

A.Crux 2002 – Corte de Tempranillo (60%), Malbec (35%) e Merlot. Um tinto excelente, no auge da forma. Potente, encorpado e elegante. Aroma intenso, com notas tostadas e de cacau. Na boca, estruturado, elegante, potente, mas não um “arrasa quarteirão. Longo. Álcool bem integrado. 14,5% de álcool. (93/100 pontos).

A. Crux Malbec 2002 – Um varietal Malbec de vinhedos com 70 a 80 anos. Aroma gostoso, floral. Redondo, “quente”, mas não alcoólico. Não dos mais concentrados 14,5% de álcool. (90/100 pontos).

A. Crux Malbec 2004 – Um varietal Malbec. Belo aroma, intenso e floral. Toques meio vegetais. Melhor no nariz do que na boca. 14,5% de álcool (90/100 pontos).

A. Crux Malbec 2005 – Um varietal Malbec da excelente safra de 2005. Talvez o melhor da degustação. Excelente aroma, muito típico da Malbec, com toques florais (violeta). Concentrado, longo e estruturado. Álcool muito bem colocado. 14,5% de álcool. (93/100 pontos).

O Fournier Syrah 2004 – Da linha superior da vinícola. Um varietal Syrah que foi muito comentado e que bem merece os elogios que colecionou. Uvas de Vistaflores. Ainda um pouco tânico. Aroma ótimo, mas um pouco fechado. Demonstra toda sua classe na boca. Redondo, concentrado, com algo de especiarias e ótimo final. 14,5% de álcool. (92/100 pontos).

O. Fournier Syrah-Malbec 2005 – Um espetáculo. Syrah e Malbec dividem igualmente o corte. As especiarias e aspectos florais juntos no aroma. Equilibrado, complexo, longo. 14,5% de álcool. (93/100 pontos).

O. Fournier Syrah Cabernet Sauvignon 2006 – Um corte com ótimo aroma, mas ainda muito novo fechado. Difícil de avaliar. Aroma fechado, mas boca muito boa. 14,5% de álcool. (90/100 pontos).