Paladar

Degustação grupo Amarante – Rioja

08 março 2007 | 13:01 por Jamil Chade

Cada vez gosto mais de tintos espanhóis. Essa preferência foi reforçada esta semana pela degustação de vinhos de Rioja para o Paladar (ver reprodução da coluna) e, principalmente, pela reunião do “grupo Amarante” na simples, gostosa e acolhedora churrascaria Martin Fierro, que fica no meio da buliçosa Vila Madalena, cercada de bares muito atraentes, bastante freqüentados (Rua Aspicuelta, 683, tel. 3814-6747).

Esse grupo Amarante já tem 24 anos e é composto por dez amigos e eventuais convidados que se reúnem para beber vinhos às cegas. Cada um leva uma garrafa e também seus copos.

Os vinhos são envoltos em papel alumínio para que ninguém possa identificá-los. Presentes na quarta-feira: o chefe Amarante, Afonso Hennel, Afonso Hennel Filho, Isidio Caliche, José Ruy Sampaio e Elie Karman.

Ficou com água na boca?

O tema foi Rioja, a grande região vinícola da Espanha e o pessoal caprichou, levando grandes vinhos mesmo, reservas, grandes reservas e que tais. Cada leva o que tem. Por um problema de comunicação, um amigo levou um Priorato.

Na minha opinião, dois vinhos se destacaram: Artadi 1998, da Cosecheros Alaveses e, logo em seguida, La Rioja Alta Gran Reseva 890 1985. Espetaculares mesmo.

O Artadi foi um dos melhores tintos que bebi ultimamente. Aroma espetacular, redondo, encorpado, equilibrado, longo (94 pontos). Um desses vinhos que conseguem a difícil proeza de aliar potência e elegância.

Tenho gostado com constância dos grandes tintos da Rioja Alta, uma das vinícolas mais tradicionais dessa região. O Reservas 890 1985 está mais do que no ponto, muito elegante e, de certa forma, me evocou um grande Bourgogne (93 pontos).

Dois vinhos que fazem qualquer apreciador feliz. Mas teve mais, muito mais, sempre pela ordem:

La Rioja Alta Grãn Reseva 890 1978, um vinho velho, mas não senil. Na primeira impressão achei que estava começando a passar, mas ele não só agüentou como desabrochou, o que não é comum em vinhos tão velhos (92 pontos).

Dois vinhos empatados, como 91 pontos: Señorio de San Vicente Tempranillo 2002 e Conde de Waldemar Gran Reserva 1998.

O Señorio de San Vicente encantou de cara. Um tinto “moderno” potente, sem tanta influência do carvalho. Toques florais e um pouco austero.

O Conde de Waldemar Gran Reserva demorou algum tempo para se mostrar. Na primeira passagem, achei o aroma ótimo, mas meio rústico na boca. Depois de um certo tempo apareceram notas de menta e ele ficou mais elegante.

O Rottlan Torrá Priorato Gran Reserva 1998 foi o ‘estranho no ninho’. O amigo José Ruy entendeu que o tema era grandes espanhóis e levou este bom vinho (87 pontos), que destoou um pouco do grupo. Tinto potente, com muita concentração, ainda tânico e meio “doce” (nada a ver com a quantidade de açúcar). De uma certa forma, me lembrou um Porto. Deve evoluir.

O CVÑE Imperial Gran Reserve 1990 talvez já tenha passado de seu auge. Muitos no grupo o adoraram, mas o considerei meio decadente (86 pontos). Aroma bom, mas meio rústico, com amargor marcante ao final.

Eu fui o responsável pela “injustiça da noite”, ao levar um bom vinho, mas que não estava à altura do grupo, o Viñaa Herminia Crianza 2002, um vinho jovem, que sentiu a competição com tais gigantes. Um vinho muito mais barato. Sentiu a competição. Gostei do aroma, mas achei que ainda estava meio duro, tânico (85 pontos). Tenho certeza que ele seria melhor apreciado se aparecesse sozinho, sem esses pesos pesados para comparar.

O chefe Amarante recebeu as notas e os comentários dos participantes. Agora, ele vai fazer as médias e dar os resultados finais. Muitas vezes, há grandes discordâncias a respeito de certos vinhos. Aguardem.

Em tempo: as empanadas de carne do Martin Fierro continuam ótimas, justificando uma visita. Também gostei muito do noix de entrecôte, um corte do contrafilé.