Paladar

Degustação vinhos gregos – Blu

Degustação vinhos gregos – Blu

17 abril 2007 | 11:10 por Jamil Chade

Na sexta passada, fui a uma deliciosa degustação de vinhos gregos da Mistral com os pratos feitos pela excelente chef Paola Carosella, no elegante Blu.

Paola fez um delicioso polvo grelhado com presunto pata negra crocante, batatas e azeite para acompanhar os vinhos brancos; um nhoque com ragú de costela de boi e um miolo do contrafilé argentino para os tintos. Carne grelhada no nível das boas churrascarias da praça.

Eu já havia gostado bastante de alguns vinhos gregos, que provei com o amigo Amarante, publicado neste blog. Na sexta, uma confirmação dessa grande surpresa.

Ficou com água na boca?

Vinhos gregos

Poucos esperavam tanta qualidade da Grécia, conhecida mais pelos vinhos aromatizados pela resina (retsina) bebidos sem preocupação por turistas pouco exigentes. Mas há produtores ótimos, principalmente na península do Peloponeso, na Ilha de Santorini e na Macedônia, mais ao norte.

Vinhos feitos com uvas locais e também com as internacionais, notadamente as de origem francesa. Gaia Thalsssitis Assyrtiko 2005 – da ilha de Santorini. Um branco de grande charme, muito seco mesmo e com bastante acidez. Alguns poderão estranhar a acidez, mas o vinho é fresco, muito gostoso (88/100 pontos).

Antonopoulos Chardonnay 2005. Um vinho do Peloponeso que agradou muito. Um Chardonnay vivo, nada pesado, com acidez refrescante e longo. Deixa sensação gostosa na boca. Algo de casca de laranja e frutas tropicais. Não dos mais potentes, do tipo arrasa quarteirão, mas elegante e fresco (90/100 pontos).

Viognier Gerovassiliou 2005. Um branco muito particular, feito na Macedônia com a uva francesa do Vale do Rhône. Aroma doce e floral. Lembrou laranja lima. Agradável e bastante perfumado na boca. Ligeiramente amargo ao final. Muita intensidade de sabor (89/100 pontos).

Participantes

Gerovassiliou Syrah 2003. Um Syrah premiado, muito particular. O melhor dos tintos, na minha opinião. Passou 18 meses em carvalho francês, que aparece muito bem equilibrado, sem se destacar demais, no aroma e na boca. Muito diferente, com evidentes toques animais (couro, curral) no aroma e na boca.Concentrado, complexo e longo (91/100 pontos).

Antonopoulos Nea Dris 2003. Costuma ser lembrado como um dos destaques entre os tintos gregos. Feito no Peloponeso com um corte de Cabernet Sauvignon (70% com Cabernet Franc. Nea Dris, segundo Otávio Lilla, diretor da Mistral, quer dizer “carvalho novo”, que fica evidente no aroma. Belo equilíbrio de carvalho e fruta. Um vinho que deve evoluir. Ainda tânico, pedindo mais tempo na garrafa. Evoca Bordeux. Concentrado, tânico e longo (88/100 pontos).

Gerovassiliou Avaton 2002. Um tinto diferente, concentrado, redondo, sedosos e longo. Direto, bem escurão e evocando frutas pretas, talvez ameixa. Feito com um corte muito particular, dominado pela Limnió, a uva mais antiga, já citada por Aristóteles. Entram ainda outras uvas locais plantadas mescladas e a Mavrotraganó (89/100 pontos).

Gaia Estate 2003. Um belo exemplo da ótima uva local Agiorgitiko (São Jorge). Da denominação Neméia, a mais famosa do país. Um tinto com ótimo aroma, de frutas pretas (ameixas). Paladar intenso, macio e doce. Equilibrado, macio. Cor de vinho evoluído.

À noite, em minha casa, provei o vinho com um tipo de polpettone e gostei muito mesmo. Um hambúrguer empanado com molho de tomate e recheado com queijo. Um prato da Lanchonete da Cidade evidentemente inspirado no fabuloso polpettone no Jardim de Napoli (90/100 pontos).