Paladar

Expovinis

Expovinis

01 maio 2007 | 18:48 por Jamil Chade

Grandes exposições e promoções como a Expovinis quase representam um sofrimento para quem gosta de provar e conhecer vinhos. São centenas, milhares as opções e a boca é uma só. Como é difícil decidir o que deixar de lado! Aliás, nem deu para decidir, pois as degustações foram acontecendo meio aleatoriamente, sem muito controle.

Este ano, a Expovinis aconteceu no Pavilhão da Bienal e o imenso calor dificultou as provas dos vinhos. Muito calor fora de época neste fim de abril e um ar condicionado potente fez falta.

Os muitos ventiladores não deram conta. Imagine o que é provar um vinho potente, “moderno”, mais do que concentrado, com perto de 16 graus nesse ambiente. Mesmo os vinhos refrescados ficavam logo quente.

Ficou com água na boca?

As condições estavam longe das ideais, degustei poucos e gostei de alguns vinhos no primeiro dia da mostra. Vou comentar alguns deles, mas é bom lembrar que não se trata de lista de “melhores” ou dos “destaques” da feira. São simplesmente alguns dos quais gostei. Não indicam preferências por regiões, países ou tipos.

Santa Catarina

Gostei muito de alguns tintos, brancos e de um rosado de Santa Catarina. São produtos especiais, caros, difíceis de serem encontrados, feitos em regiões frias e altas, por produtores que investiram muito e seriamente em adegas e vinhedos exemplares, reunidos na Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude-Acavitis.

Villaggio Grando Chardonnay 2006
Um produtos muito caprichado, de Herciliópolis, perto de Caçador. O produtor Maurício Grando é um grande entusiasta e vem conseguindo ótimos resultados e seu enólogo Jean Piere Rosier, é muito capaz, um dos grandes entusiastas do vinho de Santa Catarina. Um vinho bem fresco, sem passagem pelas barricas de carvalho. Bastante aroma, gostoso, muita fruta e acidez razoável. Poderia ser mais fresco. Deixou uma sensação gostosa na boca (87/100 pontos).

Villagrio Grando Chardonnay 2005
Um Chardonnay com seis meses nas barricas de carvalho, que aparece um pouco demais, mas deixa espaço para fruta. Gostei mais do anterior, sem madeira (86/100 pontos).

Inominabile 2005
Mais um vinho da Villaggio Grando. Um corte de várias cepas-
Cabernet Sauvignon, Merlot e outras – com estágio não exagerado em barricas de carvalho francês. Entre os melhores nacionais. Complexo, com especiarias (anis). Álcool aparece um pouco (14% de álcool). O enólogo francês Jean Pierre Rosier acertou a mão neste tinto elegante, gostoso e de classe (89/100 pontos).

Villaggio Grando Merlot 2005
Um tinto de alta classe, redondão, macio, gostoso, fácil de beber. Engarrafado recentemente. Deve melhorar. Taninos muito doces. De alto nível, mas um pouco abaixo do Inominabile (88/100 pontos).

Villa Frrancioni
O empresário Dilor de Freitas construiu uma vinícola espetacular, linda e com todos os requintes técnicos nas imediações de São Joaquim, a cidade mais fria do país. Vinhedos exemplares nas imediações dessa cidade e também em Bom Retiro. Um sonho grandioso e generoso de Dilor de Freitas.

Villa Francioni Rosé 2006
O melhor rosado nacional que provei. Começa chamando atenção pela garrafa muito particular, de linhas retas, lembrando mais um recipiente de uísque. Um corte incrível feito pelo competente enólogo Orgalindo Betu: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Malbec, Sangiovese, Syrah e Pinot Noir. O resultado é um rosado amável, ideal para os aperitivos nas tardes de sol. Aromático, gostoso, macio e não enjoativo. Um vinho bonito, de cor que evoca o cobre (86/100 pontos).

Francioni

Vila Francioni Sauvignon Blanca 2006
Também entre os melhores brancos do país. Sem dúvida, o melhor feito com essa uva. O primeiro que provei, na adega, lembrava muito os Sauvignons do Chile e da Nova Zelândia. Este 2006 não é tão típico, não se parece tanto com esses brancos internacionais, mas é ótimo, gostoso, com aroma selvagem, potente e muito fresco. Vai bem com muitos frutos do mar e ao aperitivo. Deixa boca limpa (88/100 pontos).

Villa Francioni Chardonnay 2006
Na elite dos brancos nacionais. Para a coluna do Paladar, há algum tempo, provei vários Chardonnays e achei o Miolo Reserva o melhor. O Villa Francioni me pareceu com madeira demais. O Villa Francioni de 2006 continua ótimo, mas marcado demais pela madeira. Belo aroma, fresco e longo. Mas o carvalho domina um pouco demais (87/100 pontos).

Joaquim
O tinto de “batalha” da empresa, o mais fácil de encontrar. Um Cabernet-Merlot com oito meses em barricas de carvalho. Um bom vinho, gostoso, mas não entusiasmante. Melhor no aroma. Boca um pouco rústica (85/100 pontos).

Joaquim

Villa Francioni 2004
O tinto de elite da empresa, fruto de um corte de Cabernet SauvIgon (68%); Merlotr (12%); Cabernet Franc (11%) e Malbec (9%). Um belo vinho, com aroma intenso, equilibrando madeira e frutas. Boca redonda, equilibrado, com fruas bem maduras (compotas) Pronto para o consumo. Potente (13,30% de álcool) mas não alcoólico. Concentrado e com bom final (89/100 pontos).

Tinto

Panceri Cabernet Sauvignon 2004
Feito pela Pisani-Panceri numa zona alta perto do Vale dos Vinhedos, a principal ZONA produtora de vinhos comuns de Santa Catarina. Um bom vinho, que deve evoluir. Aroma muito bom, de frutas maduras e intenso. Na boca, cai um pouco. Taninos ainda duros e um pouco de álcool a mais (85/100 pontos).

Quinta da Neve Pinot Noir 2005
Uma pequena e muito caprichada cantina de São Joaquim. Alguns produtores estão apostando na caprichosa uva Pinot Noir, que gosta de climas frios. Este vinho demonstra que poderemos ter bons produtos com essa uva. Aroma muito gostoso, “doce”, lembrando efetivamente bons feitos com essa uva da Bourgogne. Na boca, começou bem, mas depois foi ficando mais rústico. Taninos ainda duros (87/100 pontos).