Paladar

O vinho mais caro é o melhor …

21 janeiro 2008 | 10:50 por Jamil Chade

O vinho mais caro é melhor, desde que quem esteja bebendo saiba dos preços. Isso vai além da simples sugestão, como provou um estudo científico coordenado pelo professor Antonio Ramgel, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

Ele mostrou cientificamente que a grande maioria de 20 provadores acharam que os vinhos apresentados como mais caros eram melhores, quando não era bem assim. Os provadores degustaram os vinhos com seus cérebros monitorados por ressonância magnética.

Foram cinco vinhos, todos feitos com a Cabernet Sauvignon. Quatro deles iguais, mas apresentados com preços brutalmente diferentes (5 dólares e 90 dólares). O quinto ficou com seu preço real, 35 dólares.

Ficou com água na boca?

Monitorado, o cérebro reagiu de acordo com o preço. Os órgãos sensoriais ficavam mais excitados quando eram anunciados os preços dos vinhos mais caros. Não se tratava de sugestão, mas sim de reações físicas. Quando o vinho gerava prazer, luzes surgiam acionadas pelos órgãos sensoriais mais diretos. E as luzes apareciam mais quando eram provados os mais caros. Dentro do aparelho de ressonância, os provadores usaram tubos e não taças.

Segundo as agências internacionais, um importante crítico de vinhos britânico não se abalou e disse que a relação do preço das bebidas pode ser comparada à reação de alguém diante de uma roupa cara, de grife famosa. Para ele, os consumidores freqüentes não seriam influenciados e enganados pelo preço.

Robôs degustadores

No Japão, a empresa NEC e a Universidade de Mie desenvolveram um robô capaz de distinguir diferentes tipos de vinhos, utilizando um sistema de infra-raios. Atushi Hashimoto, o inventor, incorporou ao robô um vocabulário típico dos vinhos e ele é capaz de frases como: “trata-se trata de um vinho tinto de corpo médio e com sabor profundo”. O sistema poderia ser utilizado em análises de alimentos e revelar a quantidade de açúcar, o que poderá ser muito útil par os diabéticos.

Por enquanto, o sistema é limitado, só pode distinguir uma a dez bebidas. Não se sabe ainda se ele conseguiria dizer que o vinho veio de uma região determinada, se ele lembra determinadas frutas e identificar outras nuances. Sinceramente, espero que não.