Paladar

França – Bourgogne – Tinto

13 dezembro 2007 | 19:17 por Jamil Chade

Bourgogne Joseph Drouhin 2004
Onde encontrar: Mistral, R. Rocha, 288, 3372-3400.
Preço: R$ 65,33
Cotação: 88/100.

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada no suplemento Paladar em outubro de 2007.

A Joseph Drouhin é uma das maiores e melhores firmas da Bourgogne. Faz perto de 80 vinhos. Tem vinhedos e compra uvas para a elaboração dos tipos mais simples, como este de denominação de origem genérica. É conhecida pelos seus vinhos mais para elegantes e não tão intensos e concentrados. Este vinho simples exemplifica o estilo da casa. Trata-se de uma denominação controlada Bourgogne tinto, que indica vinhos que podem ser feitos em qualquer parte da região e não numa comuna específica. A uva, como sempre, é a Pinot Noir. Aroma inicial pouco intenso, mas bonzinho. Depois de algum tempo no copo passou a ser mais aromático, mas este não foi o seu ponto forte. Foi preciso atenção para perceber o aroma. Na boca, totalmente diferente, bom do começo ao fim. Os aspectos florais e de frutas vermelhas ficaram mais evidentes na boca. Macio, sedoso. Equilibrado, redondo, sem arestas. Boa acidez, nada enjoativo. No ponto para o copo. Deixou na boca sensação gostosa, evocando frutas. 12,5% de álcool.

Ficou com água na boca?

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Cuvée Latour 2005
Onde encontrar: Aurora – Televendas: 0800-7711700.
Preço: R$ 72
Cotação: 88/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada no suplemento Paladar em outubro de 2007.

A Louis Latour também tem grande tradição e faz tintos e brancos em várias denominações da Bourgogne. Seus brancos têm mais prestígio. Tem vinhedos próprios e também compra uvas. Esta é uma denominação de origem controlada Bourgogne, que pode ser feito com a uva Pinot Noir em qualquer parte da região. Os mais simples, chamados de genéricos. Um tinto gostoso, pronto para beber, mas que pode melhorar um pouco com mais tempo na garrafa. Tinto com pouca intensidade de cor, como é habitual nos feitos com a Pinot Noir. Aroma não dos mais potentes, mas muito gostoso, com os toques florais que aparecem em muitos Bourgognes e evocações de frutas. Lembrou amora bem madura. Ataque na boca realmente muito bom. Redondo, macio e com muita fruta. De novo, as lembranças de amoras. Boa concentração de sabor. Não dos mais encorpados, porém elegante. Fresco, gostoso de beber. Final ligeiramente adstringente. Um pouco secante no final de boca. Taninos ainda devem evoluir, mas não incomodam muito. 13% de álcool.

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Bourgogne Olivier Leflaive
Onde encontrar: Wine Premium – R. Funchal, 139, 5º andar, 3040-3411.
Preço: R$ 85
Cotação: 87/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada no suplemento Paladar em outubro de 2007.

O sobrenome Leflaive aparece em muitos vinhos. Não confundir o conceituado negociante Olivier Leflaive, que tem vinhos de vários níveis em várias comunas com o Domaine Leflaive, conhecido pelos vinhos artesanais, raros e caros. Este é um tinto bem feito, fácil de gostar. Pouca intensidade de cor, o que é normal e desejável em vinhos feitos com a Pinot Noir. Um Bourgogne genérico, a base da pirâmide, que pode ser feito com uvas de qualquer parte da região. Curiosamente, toques grenás de vinho envelhecido. Se destacou pela presença na boca. Aroma gostoso, porém não dos mais intensos, bem típico da Pinot Noir, com evocações florais e também de frutas vermelhas, talvez framboesas. Primeira impressão na boca intensa e muito prazerosa. Um vinho leve e gostoso. Não é dos que enchem a boca, encorpado. Em compensação, elegante, frutado e fresco, nada enjoativo. Um pouco adstringente ao final. Mais do que pronto para o consumo. 13% de álcool.

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Bourgogne Leroy 1999
Onde encontrar: Zahil – R. Manuel Guedes, 294, 3071-2900.
Preço: R$ 135
Cotação: 89/100

Provado para a coluna Tintos e Brancos, publicada no suplemento Paladar em outubro de 2007.

Madame Bize Leroy é quase uma lenda na Bourgogne. Ela já dirigiu o célebre Domaine de La Romanée-Conti, é fervorosa adepta da biodinâmica. Mais uma vez, não confundir o espetacular Domaine Leroy, que só faz vinhos com suas uvas, com a empresa negociante Leroy S/A, também de alto nível, mas que compra uvas e vinhos de terceiros. Este Bourgogne genérico já tem aroma de vinho evoluído e precisa ser provado agora, não deve ter nada a ganhar com mais tempo na garrafa. Um Bourgogne genérico que pode ser feito com uvas de todas as partes da região e não de uma comuna específica. Um vinho com uma certa idade, diferente dos demais. Cor com toques grenás e aroma muito bom mesmo, embora não muito intenso. Frutas no aroma. Começou muito bom na boca, apresentando elegância, concentração de sabor e boa acidez. Mas também um ligeiro amargor, que não chegou a incomodar. Deixou na boca sensação de fruta, agradável. 12,5% de álcool.