Paladar

Paris – Três Caçarolas

31 outubro 2007 | 17:09 por Jamil Chade

Podem dizer que não tenho muita imaginação, mas não passo por Paris sem visitar o Le Baratin, o Le Comptoir e o La Repaire de Cartouche, todos com três caçarolas no guia Lebbey.

O Le Comptoir é o minúsculo bistrô de Yves Camdeborge, que fica coração de Saint- Germain des Prés (9 carrefour de l´Odéon te 01 44 27 07 97 e metro Odéon). Uma casa com dupla personalidade, pois assume ares de bistrô durante o dia e à noite é um restaurante chique, de cozinha criativa. Minúsculo e quase sempre cheio. As reservas para o jantar devem ser feitas com muita antecedência e a espera para as mesas no almoço pode ser longa.

Assim, prefiro fazer um bom lanche pela manhã e deixar para almoçar fora de hora, por volta das 16h, quando é mais tranqüilo. O serviço nem sempre é amistoso, mas a cozinha continua espetacular e se destaca pelos pratos meio rústicos, cheios de gosto, sem filigranas, com toques do Sudoeste da França, de onde veio o chef, que antes transformou o La Régalade num dos melhores bistrôs de Paris.

Ficou com água na boca?

O La Régalade foi vendido para Bruno Doucet, que mantém um alto nível e é sempre uma ótima opção (40, av. Jean Moulin, 14º 01 45 45 68 58, metro Alesia).

No Le Comptoir, a terrine de pot au feu, os pedaços de carne cozidos com legumes e depois colocados numa forma, é uma maravilha. Também ótima a terrine de épaule de cordeiro rodeado com lâminas de berinjela. Muitas vezes, uma boa cozinha se revela nos pratos mais simples, como no espetacular galeto das Landes assado inteiro. O melhor prato desta temporada foi a poitrine d´agneau (peito de cordeiro) cortado em tiras finas e enrolado. Uma espécie de rocambole de carne de cordeiro num molho simples, da própria carne e servido com legumes.

Bons vinhos em copos, como o champagne Drappier Pinot Noir Brut Non Dosé, um produto de exceção, feito só com a uva Pinot Noir (blanc de noir) e sem adição de açúcar na hora do engarrafamento. Normalmente, é acrescentada uma dose de açúcar, que determina o tipo (brut, sec, demi-sec e assim por diante). Não é fácil manter o equilíbrio num champagne tão seco. Este consegue.

Entre os tintos, o melhor foi o M Lapierre Morgon 2006. Um cru, feito numa zona especial do Beaujolais (comuna de Morgon). Na elite da elite do Beaujolais. Combinou com o galeto o Chinon Beaumont 2005, feito com a Cabernet Franc no Vale do Loire.