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Carolina Oda

2016: o ano de beber cerveja brasileira

Cervejarias nacionais seguiram firmes e ganharam mercado durante este ano

30 dezembro 2016 | 19:51 por Carolina Oda

2016 foi o ano de beber cerveja brasileira! Enquanto as importadoras passaram um ano bem complicado graças ao câmbio, faxinando o portfólio, rebolando com a manutenção dos estoques e vendo como cuidar das marcas tão bem conceituadas em um momento difícil como este, as nossas cervejarias foram se virando nos 30, seguindo firmes, segurando a onda em meio às suas grandes dificuldades também e conseguiram com que as cartas de cerveja, prateleiras e geladeiras fossem ficando tão mais verde e amarelas. 

 

  Foto: Fernando Sciarra|Estadão

E esta troca não foi só por uma questão de custo, já que as brasileiras também ainda não são aquela bagatela. Claro que ajudou, mas, é uma congruência com um mercado nacional que vai amadurecendo, deixando nítida a melhora significativa não só na qualidade das cervejas ofertadas, quanto também na diversidade. Os cervejeiros têm se capacitado para corresponder à expectativa de um público cada vez mais entendido - cursos não param de pipocar pelo Brasil,  - e viajado, as tendências são trazidas para cá e aquela época em que a prateleira era repleta de rótulos brasileiros que se resumiam em Pilsen, Weiss e “uma escura” vai ficando bem distante. Fora o que evoluímos quando o assunto é lúpulo. Aleluia! Com o aumento da demanda, contratos com fornecedores foram se firmando e a gente foi parando de receber só o resto da safra, além de muito mais tipos. Em embalagem também tivemos o surgimento das latas, ajudando na preservação das características das nossas queridas cervejas. Estamos aprendendo que, quanto mais fresco e mais bem cuidado, melhor. 

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O bebedor de cerveja não é mais fiel, não tem aquele orgulho de beber só uma marca. Pelo contrário. Ele gosta de inventividade, sabores novos o tempo todo. Sendo assim, dá pra entender porque não passamos muito tempo sem ouvir falar de uma nova cervejaria - muito por conta das produções terceirizadas - e nem uma semana sem ver um lançamento de cerveja. A novidade desperta a curiosidade e a vontade. Tivemos notável avanço nas opções de cervejas com frutas pouco conhecidas, envelhecidas em barris diferentes, lotes únicos e exclusivos de receitas colaborativas, as Sours, as Juicy IPA…

Outro fato que muito influenciou e muito ainda influenciará é o crescimento das grandes cervejarias no universo das cervejas especiais. Depois de comprar a Wäls e a Colorado em 2015 e lançar mais rótulos da Bohemia, a AB InBev investiu nessas marcas com muito mais força em 2016. Com o aumento da produção e vasta distribuição, as cervejas, que até outro dia estavam puxando a fila das microcervejarias, hoje estão dando muito as caras pelas esquinas, restaurantes, mercados e até nos anúncios dos pontos de ônibus, fazendo o acesso e a informação cervejeira irem mais longe. A previsão é que isso seja ainda mais intenso no ano que vem. Afinal, muitos já juram que pelo menos mais duas importantes microcervejarias terão a compra finalizada e vem também o bar da Goose Island como uma grande promessa. Força, organização, união e profissionalismo para os pequenos!

E, assim, o mercado foi - e continua - girando sem parar. E que gire ainda mais em 2017, ajudado pela entrada das microcervejarias no Simples Nacional! Ufa! 

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