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A cerveja que é conto de amor fugaz

As belgas lambics são tão excêntricas que formam uma família cervejeira só delas, e neste final de semana será possível experimentar algumas delas no Empório Alto dos Pinheiros

24 maio 2017 | 18:54 por Heloisa Lupinacci

Só de Birra

O quadro abaixo retrata uma cena que é a cara da escola cervejeira belga. No Casamento Camponês, de 1567, do pintor flamengo Pieter Bruegel, os convidados tomaram cerveja servida em jarra de cerâmica. Aposto minha garrafa de Cantillon guardada no fundo do armário que trata-se de uma lambic.

Flamengo. Casamento Camponês de Pieter Bruegel, 1567.

Flamengo. Casamento Camponês de Pieter Bruegel, 1567. Foto: Reprodução

O que o quadro está fazendo aqui? Neste fim de semana vai ter um portal para esse casamento belga lá no Empório Alto de Pinheiros (EAP). Até domingo, está em cartaz a Belgium Beer Week, um evento cheio de raridades e chances únicas de provar boas cervejas belgas (veja abaixo a lista do que é imperdível). Mas o mais legal é que no fim de semana o EAP vai servir straight lambic em jarra de cerâmica. Hãn? Já explico, vem.

Ficou com água na boca?

A Bélgica é o país mais intrigante do circuito cervejeiro. Produz as acolhedoras trapistas, as rurais saisons, as “cocottes” witbiers, as parrudas strong ales, e as exuberantes, exóticas e hipergastronômicas lambic.

As lambic são tão diferentes que formam uma família cervejeira só delas. De um lado tem as lagers (entre elas a pilsen, a american light lager, a bock) e do outro as ales (como IPA, india pale ale, a APA, american pale ale, a stout… e muitas outras). A divisão é feita pelo tipo de levedura. Fora do eixo, tem a excêntrica família das lambic, cervejas de fermentação espontânea, feitas com leveduras selvagens. 

Só amor. A produção de uma lambic parece um conto de amor fugaz. O mosto da cerveja – um cozido de água com grãos – passa uma noite em tanque raso numa sala com janelas abertas. As gotículas de água do ar frio que entram pela janela condensam com o calor do mosto morno e caem sobre ele repletas de microorganismos. Pronto. As selvagens leveduras encontraram os dóceis açúcares. Daí pra frente é só amor: a cerveja fica de um a três anos armazenada em barril (de madeira, de preferência) para que toda as transformações aconteçam. Resultado: cervejas ácidas, muito complexas. E totalmente sem gás. Neste ponto ela é a straight lambic (depois, ela pode ser blendada, carbonatada, maturada com frutas etc). É essa beleza toda da straight lambic que você vai poder provar, em jarras de cerâmica (Oud Beersel Lambic, R$ 100, 1 litro) neste fim de semana no EAP.

PROVE ESTAS RARIDADES

Das 43 torneiras do EAP, 25 estarão ocupadas com cervejas belgas. Tem até rótulo inédito, pela primeira vez em barril, caso da Echt Kriekenbier, da Vichtenaar, da Bersalis Sourblend e da Straffe Hendrik Quadrupel. Mas imperdíveis mesmo são as raridades que Paulo Almeida, dono do EAP e fã assumido da escola belga, vai engatar para o evento. Tome ao menos 150 ml de cada uma dessas, nesta ordem: 

Cantillon 2011 – a Cantillon é uma lenda, e se você nunca experimentou uma gueuze ou uma lambic, comece por esta. Ela tem o potencial de transformar a sua ideia do que é cerveja. Divirta-se. Último barril. R$ 45, 150 ml.

Fantôme Magic Ghost – a graça dessa cerveja começa na cor: ela é verde, totalmente verde. Trata-se de uma saison feita com chá verde. Seca, quase adstringente, é estranha, intrigante. Tem amargor, acidez e até um quê salgado. Último barril. R$ 14, 150 ml. 

Struise Pannepot 2013 – a belgian dark strong ale envelhecida em carvalho da safra 2013 é o equivalente cervejeiro ao vinho do Porto. A Struise é uma jovem cervejaria belga, fundada em 2001. Último barril. R$ 28, 150 ml.

SERVIÇO

Belgium Beer Weekend

Dias 27 (12h/1h) e 28 (12h/0h)

Empório Alto dos Pinheiros: Rua Vupabuçu, 205, Pinheiros 

Tel: 3031-4328

 

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