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A revolução da coquetelaria nacional

21 setembro 2014 | 23:34 por redacaopaladar

Por Taísa Sganzerla

Será que a coquetelaria do Brasil vai sofrer a mesma renovação pela qual passou sua gastronomia, com a valorização dos produtos locais? Para o mixologista Marco de la Roche, o potencial é imenso, graças a diversidade de bebidas encontradas no país. Segundo ele, a maioria desses produtos são desconhecidos do grande público, que, no balcão, segue preferindo pedir um negroni do que um coquetel feito com licor de jabuticaba, por exemplo.

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

Ficou com água na boca?

Em sua aula Coquetelaria Nacional, realizada no último dia do 8º Paladar Cozinha do Brasil, de la Roche trouxe bebidas que descobriu em suas andanças pelo Brasil. Entre elas, a Tiquira, um destilado produzido exclusivamente no Maranhão a partir da mandioca, “o que faz dela ainda mais brasileira do que a sua prima famosa, a cachaça, já que esta última é feita da cana, que não é nativa das Américas”, contou o mixologista. Ele também apresentou a Consertada, uma bebida tradicional das famílias de Bombinhas (SC), feita com o “café que sobrou” da manhã (ou o “café consertado”), misturada com cachaça, açúcar, cravo e canela.

Mas ainda há resistência. “Fui chamado para preparar a carta de drinks de um bar em Salvador (BA) e os donos queriam porque queriam que ela contivesse martini e spritzer, que, para mim, pouco tem a ver com a memória afetiva local”, afirma.

“Mas a verdade é que, independentemente do lugar e da época, a coquetelaria sempre esteve dois passos atrás da gastronomia”, diz ele, que acredita que falta a mesma sistematização do conhecimento histórico e intelectual que acompanha a prática da cozinha.

“Não é à toa que um salário de quem trabalha no bar é sempre muito menor do que o de quem trabalha em uma posição equivalente na cozinha”. Mas ele pondera. “Bar é bar. A pessoa vem pra ficar feliz e não se importa se você passou estudando o que está fazendo. Mas não é significa que ela não pode ser comprometida e de qualidade”.

Conheça um pouco das bebidas brasileiras que Marco de la Roche trouxe para o Paladar Cozinha do Brasil:

Tiquira: Destilado feito a partir da mandioca, tradicional do interior do Maranhão.

Consertada: Bebida tradicional de Bombinhas (SC), feita com a sobra do café feito de manhã. É produzido em casa pelas famílias locais e cada uma tem a sua receita, mas a base é de cachaça, café, cravo, canela e açúcar.

Chapéu de Couro: Vermute, com concentrado de ervas, que inclui a folha da planta chapéu de couro.

Cravinho: produzida no tradicional bar O Cravinho, no Pelourinho, em Salvador (BA), especializado em cachaças aromáticas curtidas em barris de carvalho. A mais famosa, de nome homônimo, leva cravo, mel e limão.

Samba Nego: cachaça com caramelo, limão siciliano e erva doce, produzida em São Paulo.

Cedilla: licor de açaí selecionado, produzido pela destilaria mineira Maison Leblon.

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