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Isabelle Moreira Lima

Argentinos enfrentam resistência ao fazer vinho na França

Enólogo Leonardo Erazo, do Alto las Hormigas, fala sua experiência sobre produção de Malbec em Cahors

12 julho 2017 | 23:15 por Isabelle Moreira Lima

O enólogo chileno Leonardo Erazo assina os vinhos da vinícola argentina Alto Las Hormigas produzidos em Cahors, na França. Hoje, é possível provar dois rótulos dessa colaboração franco-argentina por aqui: o Causse du Théron Terrasse Malbec  (R$ 152 na World Wine), elaborado a partir de vinhas de 35 anos de idade, fincadas a beira do Rio Lot; e o elegantérrimo, limitado (mil garrafas) e complexo Causse du Théron en Pente Malbec (R$ 277).

Leia abaixo a entrevista com Erazo.

Na foto, o enólogo chileno Leonardo Erazo (segundo da esq. para a dir.) com a equipe de produção dos vinhos Alto Las Hormigas em Cahors, na França

Na foto, o enólogo chileno Leonardo Erazo (segundo da esq. para a dir.) com a equipe de produção dos vinhos Alto Las Hormigas em Cahors, na França Foto: Alto Las Hormigas|Divulgação

Como foram recebidos na França?

Foi uma grande aventura grande. Há uma coisa que é o orgulho francês e no vinho ele é muito notório, porque obviamente é um trabalho muito antigo, com muita tradição. E nós temos nossa ideia e nossa filosofia, mas somos vistos como Novo Mundo. Bem, nos reunimos com muitos produtores na França e alguns nos receberam bem, outros bastante mal. Mas havia três famílias que se interessaram em trabalhar com a gente, em fazer um projeto conjunto e aprender nossa maneira de trabalhar. E assim assim se firmou o projeto. Viramos muito amigos dessas três famílias. No fim, tem sido uma experiência fantástica.

O processo de trabalho e de vinificação foi diferente do que ocorre na Argentina?

Sempre buscamos destacar a origem, essa é nossa filosofia de trabalho e o objetivo de todas as decisões. Dentro disso, o trabalho busca evitar as notas doces e sobremaduras, a madeira, coisas que homogenizam o vinho. Não é muito diferente do que fazemos na Argentina. Foi um trabalho muito artesanal, com pequenos produtores franceses, colheitas manuais, trabalho (de vinificação) por gravidade, evitando as bombas. Usamos leveduras nativas e trabalhamos organicamente. E, claro, demos atenção ao solo, separando cada parcela por unidade de solo, que o trabalho mais importante que fazemos. 

O quão diferente é a Malbec de Cahors em relação ao que se tem na Argentina?

É muito distinto e deu trabalhar tentar entender e encontrar a melhor maneira de interpretá-lo. Há muito calcário em Cahors, o que é algo com que temos experiência, e isso nos deu vantagens porque já conhecíamos o tipo de tanino, a expressão que podem ter. Mas o trabalho nas rochas é muito diferente do que se faz em solos mais profundos, de argila.

Como vê a experiência na França?

É um caminho longo e sabemos que pode ser ingrato porque estamos trabalhando lá e cá, com muito esforço e muito tempo. Mas trabalhar na França sendo chileno e, ao mesmo tempo, trabalhar na Argentina é um sonho cumprido. Fazer um vinho que gostamos e que tem apoio de um grupo de franceses é um sonho tornado realidade para mim.

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