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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Arraial fermentado: para quem não larga a cerveja nem nas noites de São João

Por mais incrível que seja, não dá para tomar quentão a noite toda. Veja três sugestões de cervejas que harmonizam com as comidinhas de festa junina de experts quando o assunto é cerveja

21 junho 2017 | 20:08 por Heloisa Lupinacci

Vibro com Festa Junina, caipira que sou. Sempre vai ter espaço para o quentão na minha quermesse, mas ninguém consegue tomar pinga a noite inteira, então pedi sugestões a sommeliers amigos para montar um arraial fermentado, Só de Birra. Inspirada na lógica “traga um prato de doce ou de salgado” pedi “traga uma sugestão de lata ou garrafa”.

  

Para Priscilla Colares, sommelière e professora do Instituto Brasileiro da Cerveja, pedi uma cerveja para tomar com bolo de fubá. Combinar cerveja com preparos doces é daquelas fronteiras que uma vez que você cruza percebe o potencial gastronômico que a cerveja tem. Com fórmulas tão distintas umas das outras, estilos tão variados e tantas camadas de sabor, a cerveja é uma bebida generosa quando o assunto é harmonização.

 

  Foto: Adriana Moreira|Estadão

 

Ronaldo Rossi, sommelier, professor da Doemens e dono da Cervejoteca, ficou encarregado de escolher uma cerveja para a pipoca. Essa é daquelas combinações para anotar e guardar-guardado, porque pipoca é do dia a dia e cerveja combina demais com ver filme também. Uma sugestão que extrapola a temporada junina.

 

Para Renê Aduan, sommelier, professor da Doemens Akademie e dono da Alma Rústica gastronomia, encomendei uma cerveja para tomar com quentão. Já reparou como em mesa de bebedor experiente volta-e-meia junto da cerveja vem servido “um quente” (no geral, uma caninha)? Harmonizar uma bebida com outra é nível avançado, responsabilidade das grandes.

Confira as sugestões dos três:

   

Para tomar com bolo de fubá

Mineira, Priscilla Colares recebeu o pedido como missão e foi para a vendinha comprar fubá moído em moinho d’água (“fica com mais gosto de roça”) e uma leva de cervejas produzidas em Minas Gerais.  Assou logo dois  bolos – com e sem erva-doce. Para o bolo de fubá puro, escolheu a Falke Ouro Preto, schwarzbier feita com maltes torrados em um torrefador de café da própria cervejaria. “Essa harmonização repete a lógica de sentar na mesa da cozinha para tomar um cafezinho e comer um bolo quentinho que acabou de sair do forno”.

Para o bolo com erva-doce, a eleita foi a Backer Exterminador de Trigo, american wheat com capim limão. “Foi um encontro fresco, perfumado. O fubá saiu do palco, as ervas do bolo e da cerveja ficaram em primeiro plano”. E como tinha dois bolos, ela inventou mais uma combinação. Preparou uma calda de goiabada cascão e combinou bolo e calda com a Corleone, imperial red ale também da Backer. “É uma cerveja mais potente, que consegue encarar a intensidade da calda. Ficou uma combinação mais ousada”.

 

 

Para tomar comendo pipoca

Ronaldo Rossi, da Cervejoteca (que comemora seis anos de existência com uma hamburgada neste sábado, a partir de 13h), dá dois caminhos possíveis. Para uma ocasião especial, a Sea Dog Wild Blueberry, uma american wheat com adição de mirtilos. “É uma cerveja engraçada, tem alguma coisa de guaraná”. Para quem já era vivo nos anos 1990, impossível não lembrar do jingle: “pipoca e guaraná que programa legal, só eu e você e sem piruá, que tal?”. Legal. Mas se quiser uma coisa menos anos 1990, Rossi aponta para o básico, uma pilsen bem feita e bem fresca. “Um balde de pipoca e uma Dama Pilsen dão bem certo. É uma cerveja correta, com teor alcoólico baixo, mas pode ser também a da Bamberg ou da Lohn, cervejaria que foi premiada na última South Beer Cup”.

 

 

 

Hamburgada de 6 anos da Cervejoteca

Sábado, 24/6, das 13h às 17h.

R. Sena Madureira, 749.

Para tomar com quentão

“Precisa ser uma cerveja bem maltada, que aguente o tranco do quentão”, explica Renê, diante da proposta de harmonização. Na prática, quer dizer experimentar uma barley wine, uma doppelbock ou uma quadrupel (“quem sabe até uma dubbel”).. Se você já sabe qual escola cervejeira gosta mais, vá direto à sua preferência: barley wine é escola inglesa, doppelbock é escola alemã e quadrupel é belga. Agora, se for pra escolher um único rótulo, Renê sugere a Insana Pinhão Barley Wine, que já sai de fábrica em clima junino, uma vez que leva pinhão em sua composição e matura com casca de pinhão – para realçar cor e aromas. Aliás, falando em sair da fábrica, o lote 2017 desta cerveja, que é sazonal, está maturando e chega às lojas até o fim do mês, agora com prazo de validade de 3 anos. É uma cerveja que envelhece bem, de guarda mesmo. Enquanto isso, dá para comprar direto na cervejaria os últimos exemplares do lote do ano passado – já com um ano de garrafa.

 

 

 

  Foto: Insana|Divulgação

 

Insana Barley Wine

R$ 12 (300 ml, direto na cervejaria 46 3262-4915 ou no email contato@cevejainsana.com.br)