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Heloisa Lupinacci

As cervejas importadas que se cuidem!

As brasileiras estão melhores – tanto no copo quanto na construção da marca

15 novembro 2017 | 17:41 por Heloisa Lupinacci

Há seis anos, Rafael Moschetta, do Weird Barrel, um brewpub em Ribeirão Preto, organiza o IPA Day, festival que celebra o estilo favorito dos cervejeiros. Nas cinco primeiras edições, havia ao menos dois rótulos importados. Na sexta e mais recente, no último sábado, só havia IPAs brasileiras – a Bodebrown Perigosa Baby, de Curitiba, foi eleita a melhor da festa. “Até o ano passado, a gente percebia a necessidade de incluir importadas para atrair o público”, diz Moschetta. “Desta vez, só com nacionais, foi o melhor line-up e ninguém sentiu falta das gringas.” As queridinhas do público, segundo ele, são Dogma e Hocus Pocus, Bodebrown e Seasons. Todas brasileiras.

 

  Foto: Gustavo Magnusso|Estadão

Não tem nada a ver com patriotismo. Acontece que as cervejas brasileiras estão melhores – tanto no copo quanto na construção da marca. “Estamos criando marcas muito fortes”, conclui Moschetta. Mais gostosas e mais conhecidas pelo público, as nacionais estão imprimindo uma mudança radical no cenário da importação (ao lado, claro, da alta do dólar e das incertezas do mercado), que refletem de maneira marcante o amadurecimento do bebedor.

Primeira coisa: aquele truque de trazer uma cerveja mequetrefe de qualquer país e tentar emplacar como especial aqui não dá mais certo. Segunda: cada vez menos dá para trazer exemplares que trombam com as locais nas prateleiras. 

Ficou com água na boca?

Sobrevive quem traz as clássicas, aquelas cervejas que são “modelo do estilo”. Exemplo: Paulaner Salvator. E quem traz cervejas únicas, bombásticas e queridas pelo público. Exemplo: qualquer uma da dinamarquesa Tool – que, boa notícia, está de volta ao Brasil com a Beer concept.

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No período de seca de notícias de importadoras, a única grande novidade foi a agressiva expansão do portfólio da Beer Concept, que começou a trazer um monte de marcas incríveis – Evil Twin, Omnipollo, Against the Grain, Founders, Oskar Blues… Agora no segundo semestre, Daniel Dinelli, que saiu da Beer Concept, uniu-se à Ontrade para importar marcas que fazem parte de um projeto batizado de câmara fria. A parceria chegou-chegando, com Bear Republic, Rogue, Toppling Golitah e Fuggles & Warlock.

Ainda neste finzinho de 2017, nasceu a Craft Soul, que começa a distribuir as belgas Cantillon, 3 fonteinen, Fantôme e Struise nesta semana. E a Beer Concept anunciou a volta da holandesa Kaapse.

Depois de 18 meses paradão, o mercado de importadas dá bons sinais de vida.

O QUE ESTÁ CHEGANDO 

Cantillon 

Os barris da gueuze mais cultuada do mundo chegam na semana que vem aos bares.

Rogue

Vai ter Dead Guy Ale e, no ano que vem, a promessa é que cheguem aqui os destilados que a cervejaria produz.

Fuggles & Warlock

Os rótulos super pop da cervejaria canadense chegam ainda neste ano. O burburinho se concentra em torno da Strawberry Wit, uma witbier com morango.

Kaapse

Os deliciosos rótulos da ousada cervejaria do cervejeiro mais simpático do mundo, o Tsjomme Zijlstra, estão de volta.

ALGUÉM TRAZ POR FAVOR?

Elas já estiveram aqui mas, com alta do dólar e instabilidade do mercado, pararam de ser importadas. São marcas que fazem muita falta.

Mikkeller

Teve um tempo em que você entrava no Empório Alto dos Pinheiros e tinha uma estante cheia de Mikkeller e você podia escolher qual ia tomar – sempre ficava na dúvida de qual rótulo da série Spontan (de fermentação espontânea) ia esvaziar minha carteira.

 

  Foto: Mikkeller

Saison Dupont

A primeira saison a gente nunca esquece. A Dupont é o que os cervejeiros costumam chamar de “modelo de estilo”, aquela que serve para ensinar o que é uma saison. Depois dela você parte para as saisons com frutas, as saisons com outros grãos, saisons lupuladas...

 

Ficou com água na boca?