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Brasileirice engarrafada

Cevada, trigo, malte, lúpulo e fermentos viajam o mundo, cruzam fronteiras e podem ser exatamente iguais aqui e no Japão. É só questão de opinião: há quem diga que o terroir da bebida está no lúpulo; há quem defenda estilos como próprios do país onde surgiram – fora os professorais das escolas cervejeiras e seus modos próprios de fazer cerveja. Não há consenso nos copos.

29 maio 2013 | 23:05 por danielmarques

Os fissurados em lúpulo batem o pé e dizem que as características próprias das flores verdes dos Estados Unidos (cítricas e herbáceas) são as responsáveis pela definição do que é uma cerveja de lá. Há quem afirme veementemente que uma cerveja é de determinado lugar da Europa só pelos aromas frutados que carrega na garrafa. E os que se perdem quando sentem no nariz a confusão conceitual do sorachi ace, lúpulo japonês frutado como os europeus e cítrico como os americanos, já usado por algumas cervejarias dos EUA e Bélgica.

Como aqui no Brasil há apenas tentativas de cultivar o lúpulo, não é ele que vai dar cores brasileiras às nossas cervejas. Quanto a isso, não há discussão. E, por enquanto, nem precisa, não está fazendo falta. Há boas cervejas brasileiras sendo feitas de modo muito particular: são cozidas, fermentadas e pensadas em território nacional e, apesar de seguirem estilos e receitas de outras partes do mundo, são brasileiríssimas porque levam na receita ingredientes brasileiros. Café, pimenta, taperebá, capim-limão e melaço de cana, entre tantos outros. As cervejas que apresentamos – e descrevemos – ao lado têm inegável brasileirice.

Com narizes e línguas patrióticos, participaram dessa degustação Guilherme Balbin, mestre em estilos cervejeiros, e João Paulo Rensi, técnico cervejeiro e produtor caseiro.

Ficou com água na boca?

FOTOS: Filipe Araújo/Estadão

Coruja Labareda

Origem: Brasil

Preço: R$ 19,20 na cervejastore.com.br

Teor: 6,7%

A pimenta não é de fazer chorar e é quase uma pegadinha: a ardência que não aparece no aroma, vai crescendo conforme os goles vão sendo tomados.

Aromas: herbais, com leve caramelo e condimentos.

Vai bem com: picanha com alho e a massa alla carbonara.

Amazon Witbier

Origem: Brasil

Preço: R$ 9,90 na imigrantesbebidas.com.br

Teor: 4,7%

Taperebá não é muito conhecido fora do Norte. Por isso a confusão: capim-limão, tangerina, abacaxi, laranja, que fruta é essa? É taperebá.

Aromas: frutados.

Vai bem com: peixe com banana, um clássico do litoral paulista.

3 Lobos Exterminador

Origem: Brasil

Preço: R$ 13,90 na tabernabier.com.br

Teor: 4,5%

O capim-limão da receita complementa os aromas frutados do trigo: lima-da-pérsia e limão, ao cheiro de coentro (um tanto marcante demais).

Aromas: cítricos, herbal e frutado.

Vai bem com: presunto parma com chutney; e com uma bela torta de limão.

Saison de Caipira

Origem: Brasil

Preço: R$ 26 na BierBoxx Espaço e Bar (R. Fradique Coutinho, 842, Pinheiros, 3805-0151)

Aroma intenso de melaço e um pouco de cachaça. No gosto, também o melaço é intenso e reduz a refrescância. O ideal é consumir próximo à data de validade. Aromas: cítricos e adocicados. Sabores: amargor baixo, doçura bem alta e acidez média. Vai bem com: pastel de feira (ela entra no lugar do caldo de cana e da branquinha do boteco).

Demoiselle

Origem: Brasil

Preço: R$ 7,90 na americanas.com.br

Teor: 6%

Lembra frutas secas escuras temperadas com café (do Alto da Mogiana, nesta cerveja). Aromas: chocolate, cítricos, adocicados, tostados (de café e biscoito) e um pouco de cheiro de terra molhada. Sabores: cerveja cremosa, de amargor e doçura médios. Vai bem com: pão com creme de avelã e panetone de chocolate.

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