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Heloisa Lupinacci

Cafuza, uma cerveja mestiça e quase mítica

A cerveja recém lançada já tem dois anos de história

25 junho 2014 | 20:11 por Heloisa Lupinacci

Oficialmente, ela foi lançada nessa quarta-feira, 25. Mas a Cafuza, uma Imperial India Black Ale, tem dois anos de história e ares de lenda. Criada por Bruno Moreno de Brito e Leonardo Satt, essa cerveja miscigenada circulava apenas pela turminha cervejeira de São Paulo e foi ganhando fama e status de raridade. Era daqueles casos em que muita gente já ouviu falar, mas nunca viu – muito menos provou.

Ela é uma mistura de Imperial IPA com Black IPA, daí seu longo nome: Imperial India Black Ale. O que isso quer dizer? Vamos por partes.

India Black é uma versão escura da India Pale Ale. Black com India dá Cafuza, daí o nome da dita cuja. Imperial quer dizer forte, super, extra. Toda vez que você vir Imperial no nome de uma cerveja isso quer dizer que ela tem mais grão e, portanto, mais álcool. E, para equilibrar esse álcool, ela terá mais de tudo. Com o botão de volume no talo, é uma cerveja de 8,5%, com bastante lúpulo e um belo corpo. Raphael Rodrigues, sommelier e blogueiro do AllBeers, provou a Cafuza em diversas levas – ainda da panelinha de 20 litros da produção caseira – e a descreve abaixo.

Rótulo da Cafuza. FOTO: Reprodução

Ficou com água na boca?

Pois em 2012 foram quatro brassagens de 20 litros. No ano seguinte, foram duas de 20 litros e uma de 200 litros, na Cervejaria Nacional. Agora, foi produzida na Invicta, em Ribeirão Preto, em uma leva de 3 mil litros. Será distribuída em São Paulo e no Rio.

O mesmo caminho traçado pela Cafuza – da caseira panelinha para o tanque de produção em larga escala – foi percorrido por algumas das cervejas mais destacadas do mercado. A Petroleum, da DUM, é o caso mais emblemático. Caseira, foi angariando fãs, virou mito, ganhou selo do MAPA e escala de produção. “Tem muita gente que chama a Cafuza de ‘a Petroleum de São Paulo’ pela semelhança da história. Eu me inspirei bastante no jeito que eles fizeram para divulgar a cerveja”, diz Bruno.

Essas receitas testadas na escala doméstica funcionam como vetor de inovação. “Na panela de 20 litros, se a cerveja ficar ruim, o prejuízo é pequeno. Por isso há espaço para ousadia”, diz Leonardo. A Cervejas Sazonais, empresa criada pelas cervejarias caseiras Serra das Três Pontas, de Burno Moreira, Prima Satt, de Leonardo Satt e Noturna, de Luciano Martins Silva, quer manter a ousadia em lançamentos comerciais. “Vamos fazer apenas cervejas sazonais, sempre extremas”, diz Leonardo. Isso quer dizer que a Cafuza continuará sendo difícil? “Ela sempre vai voltar, com ajustes de receita. Será como safra de vinho. Cafuza 2014, Cafuza 2015…”, explica.

Para quem está em São Paulo, há duas chances de prová-la em chope. No sábado, no jogo do Brasil, a loja de cervejas especiais Capitão Barley tem a cerveja em chope (R$ 18, 300 ml) e garrafa (R$ 20, 350 ml) e, para comer, o Escondo na Kombi estará estacionado ali. No domingo, no Escambo Hostel, o chef Pedro Voltolino de Azevedo sugere a harmonização de Cafuza com hambúrguer de cordeiro com queijo pecorino (R$ 16).

CAFUZA IMPERIAL INDIA BLACK ALE

Origem: São Paulo (SP)

Preço: R$ 20 (350 ml)

Quem descreve: Raphael Rodrigues, beer sommelier e autor do AllBeers. No visual, é uma cerveja escura, bem carbonatada, com espuma marrom de boa formação e boa duração. No nariz ela já mostra seu potencial e sua personalidade. Uma mistura de lúpulo, com algo frutado, aparece de cara. Seguidas por notas de malte torrado e café – que faz você perceber logo que está diante de uma ótima imperial india black ale. Na boca é equilibrada, com sabor marcante do amargor do lúpulo e do malte torrado. Corpo de médio para alto, notas de café e boa drinkability, apesar do alto teor alcoólico e das 110 unidades de amargor (IBU). Foi um dos destaques caseiros em 2012.

SERVIÇO

Capitão Barley

R. Cayowaá, 358, 3569-3560

A partir de 11h

Escambo Hostel

R. Oscar Porto, 33, 3051-5344

A partir das 13h

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