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Cerveja de doce de leite e goiabada? Em Minas tem

A Wäls é a prova que nem só de cachaça vive os mineiros

29 outubro 2014 | 19:26 por Redação Paladar

por Rafael Tonon

Especial para o Estado

Nem só de cachaça vive a cena etílica de Minas Gerais. O Estado se converteu em um dos principais produtores de cerveja artesanal do País, com a maior quantidade de rótulos do Brasil. Minas tem atualmente 25 cervejarias artesanais, 11 delas localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte, o principal reduto cervejeiro do Estado, segundo o SindBebidas de Minas Gerais.

 

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Vencedora. A mineira Wäls conquistou o maior prêmio do World Beer Cup. FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

Dos 120 estilos existentes no mundo, 55 já são reproduzidos por lá, o que rendeu a Minas o apelido de Bélgica brasileira, tamanha a diversidade de rótulos locais, alguns feitos com ingredientes típicos, como doce de leite, polvilho e até goiabada.

O Estado também investe em estudos para o desenvolvimento de estilos locais de cerveja. A Universidade Federal de Ouro Preto está à frente de uma pesquisa de seleção de leveduras de fermentação de cachaça para a produção de cervejas com características regionais.

“Quanto maior o mercado, mais força teremos. Por isso, o Estado tem se tornado um dos mais representativos em cervejas artesanais no Brasil”, afirma Marco Falcone, diretor da Falke Bier, fundada em 2004, uma das primeiras a trilhar o caminho pelas cervejas artesanais no Estado.

A Inconfidentes, em Nova Lima, reuniu três cervejeiros caseiros que montaram a primeira cervejaria colaborativa do País. Eles produzem rótulos de três marcas: Vinil, Jambreiro e Grimor. “Foi uma forma de amortizar os investimentos e tirar o plano de negócio do papel”, diz Humberto Ribeiro, por trás das cervejas da Jambreiro e presidente da Acerva Mineira, entidade que reúne os cervejeiros artesanais.

Os investimentos nos últimos cinco anos deram resultado. Minas ganhou representatividade e prêmios. Em abril, a Wäls colocou o país no mapa cervejeiro mundial: conquistou o maior prêmio do World Beer Cup, concurso realizado anualmente nos EUA que recebeu, neste ano, quase 5 mil inscrições de 1.403 cervejarias de 58 países. A marca deve inaugurar nos próximos meses uma fábrica em San Diego, nos EUA. “É um passo arriscado, mas decisivo para uma nova fase do mercado brasileiro”, afirma Tiago Carneiro, sócio da marca.

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