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Isabelle Moreira Lima

Chablis 2016 será mesmo Chablis?

Tempestades na região comprometeram a produção do vinho para o próximo ano. Solução foi estender as fronteiras pelo governo, o que pode prejudicar seu status

31 agosto 2016 | 18:07 por Isabelle Moreira Lima

Torça para que, no ano que vem ou no próximo, quando o Chablis 2016 chegar ao mercado, você, de fato, prove um Chablis. As terríveis tempestades, geadas e chuvas de granizo que afetaram a Borgonha e outras regiões como o Languedoc e o Loire neste ano levaram o governo francês a permitir que os produtores dessas denominações comprem até 80% das uvas que serão usadas na safra 2016.

Safra. Produtores poderão comprar uvas de terceiros, como a Chardonnay, de Chablis

Safra. Produtores poderão comprar uvas de terceiros, como a Chardonnay, de Chablis Foto: Benoit Tessier|Reuters

A compra deve ser feita de outros produtores das mesmas denominações de origem, é claro. Acontece que, com tanto estrago (em alguns casos, a perda foi de até 100% da safra), quem ali vai ter uva para vender? O maior temor é que as fronteiras da lei sejam ultrapassadas e que os produtores comprem uvas para além da área permitida. A regra é perigosa e pode representar uma queda de status – o uso de uvas compradas deve ser indicado no rótulo, como temem os produtores independentes de Pic-St-Loup, no Languedoc, que têm investido na reputação local.

Para o presidente da ABS-SP, Arthur Azevedo, a nova regra é crítica consideradas as regiões. “Na Borgonha, meio metro de distância faz diferença. Isso bagunça completamente o conceito de terroir. O consumidor tem que ficar de olho.”

Ficou com água na boca?

A quebra de safra francesa é estimada em 10% e deve levar a Itália ao pódio de maior produtor de vinhos do mundo em volume. 

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